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Adolescente nem sempre percebe que vive namoro violento


A violência no namoro tem impactos para a saúde física e emocional do adolescente


A violência nas relações amorosas já foi tema de novela, de programas de TV e, frequentemente, é assunto dos noticiários, mas se engana quem pensa que esse tipo de problema atinge apenas adultos. Estudos apontam que a violência também é frequente nas relações entre adolescentes.

Segundo pesquisa divulgada no livro "Amor e Violência: Um Paradoxo das Relações de Namoro e do Ficar entre Jovens Brasileiros" (editora Fiocruz), 86,9% dos entrevistados com idade entre 15 e 19 anos declararam ter sido vítimas de violência. O estudo foi feito em 2011, com 3.200 jovens de escolas públicas e particulares, em dez capitais brasileiras. No grupo, 86,8% assumiram que foram responsáveis por algum tipo de agressão durante o relacionamento.

No mesmo levantamento, 76,6% das garotas entrevistadas declararam sofrer e praticar algum tipo de violência simultaneamente, o que indica que o comportamento agressivo em jovens independe do gênero.

"O nosso grau de tolerância se dá de acordo com o ambiente em que vivemos. Nossos índices de violência são assustadores e isso está espelhado na forma como nos relacionamos", declara o psicólogo Armando Ribeiro, docente no Ambulatório de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo).

Em 2014, uma pesquisa feita pelo Instituto Avon e o Data Popular, com 2.046 jovens de 16 a 24 anos, de todas as regiões do país, mostrou que, muitas vezes, os jovens não percebem atitudes violentas no namoro.

Quando questionados se já praticaram ou sofreram algum tipo de violência a dois, apenas 8% responderam que sim. No entanto, depois que a pesquisa listou os comportamentos considerados agressivos, 66% das mulheres responderam que sofreram algum deles e 55% dos homens assumiram ter praticado um ou mais dos atos citados no estudo.

O dado é importante para esclarecer que, embora a violência seja mais associada a agressões físicas, um namoro violento não é somente aquele em que tapas, puxões de cabelo, empurrões, socos e chutes são frequentes.

"A violência na relação existe quando uma pessoa exerce poder e controle sobre a outra, com o objetivo de obter o que deseja", diz a psicóloga Dilma Cupti de Medeiros, porta-voz da campanha Gentileza no Namoro, promovida pela Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.

Ofender, xingar, humilhar, ameaçar ou intimidar o par são formas de exercer violência psicológica. Forçar carícias ou precipitar uma relação sexual, principalmente quando um dos jovens é virgem, é considerado violência sexual.

Há, também, a violência moral, que se tornou bastante comum em tempos de internet e redes sociais. "É quando o jovem denigre a imagem do outro socialmente, envergonha-o em público ou, ainda, proíbe-o de sair ou de conviver com determinados amigos", afirma a psicóloga Triana Portal, especializada em psicologia clínica pela USP.

Todas essas formas de violência podem coexistir em um namoro entre jovens e, pior, tendem a evoluir. Isso significa que o grito de hoje pode se tornar o tapa de amanhã. No entanto, o adolescente pode não perceber esse processo e, como consequência, não saber se proteger adequadamente.

"Muitas das atitudes violentas são confundidas com manifestações de amor. E, se para os adultos é difícil romper com o ciclo de violência, imagine para um casal de adolescentes iniciando uma relação amorosa, em uma fase em que ser aceito pelo grupo é fundamental para a formação da identidade", afirma Dilma, da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.

Sinais da violência

A violência no namoro tem impactos para a saúde física e emocional dos jovens e pode resultar em baixa autoestima, ansiedade, depressão, estresse, perda de cabelo, problemas digestivos, entre outros. No entanto, algumas ações dos adolescentes indicam que a relação amorosa está saindo do controle, o que permite a intervenção dos pais.

"Os pais precisam ficar atentos se o filho apresentar tristeza, isolamento, se ficar calado, distante, incomunicável, começar a evitar falar do relacionamento, demonstrar dificuldades na escola ou se já não for mais ativo como antes", diz o psicólogo Ribeiro, da USP. Oscilações de humor, comportamento explosivo e mudanças de padrão de sono e de apetite também devem chamar a atenção.

Ao perceber que o filho pratica algum tipo de agressão ou é agredido, é preciso chamá-lo para uma conversa. "O filho agressor também tem problemas. A agressividade é um sintoma, a expressão de um conflito. Esse jovem precisa de ajuda, às vezes, não só dos pais, mas de profissionais", diz a psicóloga.

O nível de interferência dependerá da gravidade da situação. Em alguns casos, é aconselhável envolver a escola e também os pais da pessoa com quem o filho está se relacionando.

"Desfazer o tabu e conversar sobre as diversas formas de violência que podem ocorrer nos relacionamentos é a melhor forma de prevenir e enfrentar o problema. Os pais devem promover reflexões sobre a importância da gentileza para a construção de relações pessoais mais saudáveis", declara Dilma.


Fonte: UOL Mulher

Comentários

  1. "O nosso grau de tolerância se dá de acordo com o ambiente em que vivemos. Nossos índices de violência são assustadores e isso está espelhado na forma como nos relacionamos".

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