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Controle a raiva e viva feliz

A raiva é uma emoção natural e necessária na vida de todo ser humano. Mas quando se torna constante, pode prejudicar muito os relacionamentos e a saúde. Confira neste post algumas dicas para equilibrar-se e neutralizar este sentimento.

“Sentir raiva quando somos provocados ou agredidos é normal e difícil de controlar. É uma reação de sobrevivência da espécie. Neste caso, se a raiva salvar sua vida, será positiva”, diz a psicóloga Marilice Rubbo Carvalho, especialista em comportamento cognitivo pela USP (Universidade de São Paulo).

Segundo Armando Ribeiro das Neves Neto, psicólogo e coordenador do programa de avaliação do estresse do hospital da Beneficência Portuguesa de São Paulo, as medicinas antigas defendiam que todas as emoções são positivas se estiverem equilibradas em nossas vidas. A raiva pode ser um gatilho para nos mobilizar para a ação. É uma emoção muito poderosa e que, quando bem canalizada, nos faz ter energia para enfrentar as dificuldades”, diz ele.

Em pequenas doses, a raiva pode servir de impulso para ações ou motivação para mudanças. Mas sentir raiva com frequência pode indicar alto grau de estresse ou até mesmo alguma patologia, prejudicando a saúde e o convívio social.

Veja como lidar com a raiva de forma positiva

O primeiro passo para lidar com esse sentimento é não negá-lo. Se ele está lá, tente entendê-lo e avaliá-lo com a maior clareza possível, prestando atenção nos pensamentos que o levam a sentir raiva e sentindo se a sua reação é desproporcional no momento.

Para isso, é preciso avaliar a situação com tranquilidade e tentar olhá-la de vários ângulos, e não somente o seu. A ajuda de um terapeuta pode ser de grande valia neste processo. Descubra o que desencadeia a raiva em você.

Procure encontrar meios acertivos de expressar o que incomoda, quando possível, de forma clara e objetiva. Isso evita que se guardem mágoas mal resolvidas que poderão se transformar em raiva acumulada.

Agir por impulsividade também pode levar uma pessoa a excessos desnecessários. O ideal, ao sentir aquele acesso de raiva, é sempre esperar antes de reagir. Imediatamente concentre-se em sua respiração e procure deixá-la o mais profunda e lenta o possível. A respiração profunda e consciente ajuda a relaxar, liberando hormônios de bem estar e neutralizando os de estresse que desencadeiam a raiva. Só apenas depois de relaxar é que se deverá tomar uma atitude.

Investir em atividades que ajudem a canalizar este sentimento, como algum esporte, yoga e meditação também são boas formas de lidar com a raiva. É possível transformar sentimentos negativos em positivos quando você se propõe a transferir essa emoção para uma atividade construtiva.

Sentir raiva excessiva e de forma constante pode trazer diversos males ao indivíduo ao longo do tempo, como cansaço físico, perda de memória e insônia. A descarga de adrenalina e cortisol(hormônios do estresse) constante no organismo leva a alterações fisiológicas como aumento da pressão e dos batimentos cardíacos, tonturas, vertigens, tremores, sudorese, pelos arrepiados e ansiedade. É como se o corpo, literalmente, se preparasse para o ataque. Em casos crônicos, levam a infarto e acidente vascular cerebral (AVC). A raiva também pode levar à obesidade, já que está por trás do transtorno do comer compulsivo, que leva indivíduos a ingerirem desenfreadamente comida.

Isso sem contar os prejuízos no convívio social e o isolamento que o sentimento pode acarretar, uma vez que alguém constantemente raivoso se torna desagradável, afastando as pessoas que ama de perto de si. “Raiva excessiva maltrata o corpo, a mente e principalmente as relações. É responsável por destruir casamentos, impedir a comunicação afetiva e a escuta atenta. Literalmente, ela cega”, fala Neves Neto.

Explosões de raiva e seus antídotos

Atitudes como inflexibilidade, perfeccionismo, exigência e impaciência transformam o indivíduo em alguém mais raivoso que os demais. Como quase sempre as coisas não saem da forma como a pessoa gostaria, ela se sente frustrada, insegura e ameaçada, e se torna alvo fácil da raiva. Essas explosões podem indicar algum problema psiquiátrico, como transtorno bipolar, caracterizado por oscilações de humor que podem levar a ataques de fúria e raiva, ou transtorno de personalidade borderline, cujas características de comportamento são explosão, agressividade, intolerância e irritação. Por isso, para quem se sente dentro deste quadro extremo, recomenda-se uma avaliação com especialista para um diagnóstico e tratamento adequado. “É necessário fazer uma reestruturação cognitiva para que seus pensamentos e crenças de vida possam ser trabalhados e assim ter uma melhora”, explica a psicóloga.

Para o budismo, a melhor forma de combater a raiva não é suprimindo-a, e sim cultivando seus antídotos, que são a compaixão e a paciência. Um cérebro condicionado a reações explosivas pode ser “reprogramado” e a personalidade transformada. Para isso é necessário que se cultive, em 10 minutos de silêncio diários bem como em alguns intervalos ao longo do dia, os pensamentos positivos, as ações que o façam sentir-se realizado e atitudes de gentileza para com os outros e com você mesmo.

Este olhar mais aprofundado para dentro da sua mente e do seu coração faz com que, ao londo do tempo, as tendências de reatividade se modifiquem. Desta forma, todos podem conhecer a verdadeira felicidade e realização.

Fonte: Blog

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