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Aprenda a lidar com as notícias ruins sem se isolar da realidade - UOL MULHER

Aprenda a lidar com as notícias ruins sem se isolar da realidade

Marina Oliveira e Rita Trevisan
do UOL, São Paulo
  • Thinkstock
    A mente não distingue o estresse de situações reais ou imaginárias, portanto aprofundar-se nos detalhes de uma tragédia custa caro à saúde
    A mente não distingue o estresse de situações reais ou imaginárias, portanto aprofundar-se nos detalhes de uma tragédia custa caro à saúde
Acompanhar o noticiário para saber o que acontece no mundo é mais do que natural, mas se aprofundar nos detalhes de crimes violentos, guerras, desastres naturais e inúmeras outras tragédias pode custar caro à saúde. "A mente não distingue o estresse das situações reais ou imaginárias" explica o psicólogo Armando Ribeiro, coordenador do Programa de Avaliação do Estresse do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo. Portanto, assistindo a esse tipo de cena, potencialmente estimulamos a produção dos hormônios do estresse, mesmo se estivermos em segurança, dentro de casa.
Alguns destes hormônios são o cortisol e a noradrenalina que, uma vez liberados, provocam o aumento da frequência cardíaca, da pressão arterial e da tensão muscular, deixando todo o corpo em estado de alerta. 
Segundo o especialista, quanto maior for a referência à realidade de quem assiste, maior o potencial de determinada notícia de provocar estresse. Um crime ocorrido na própria cidade ou acidentes semelhantes a situações já vivenciadas, por exemplo, têm mais poder de desestabilizar emocionalmente. "Nossa realidade é formada a partir das informações que coletamos ao nosso redor e interpretada individualmente. Se fontes diferentes passam a descrever um panorama de terror, nossa mente toma esse cenário como verdade absoluta. Em consequência, o corpo vai tentar se adaptar ao mundo como ele é percebido subjetivamente", explica Ribeiro. 
 
De acordo com a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente do braço nacional da entidade International Stress Management Association (ISMA BR), pessoas mais sensíveis podem até desenvolver transtorno do estresse pós-traumático só por acompanharem a cobertura de uma tragédia pela mídia. "Esse transtorno é diagnosticado quando, mesmo alguns dias após o contato com o acontecimento, a pessoa não consegue executar suas tarefas cotidianas e apresenta dificuldades para dormir, sente dores musculares ou vontade de chorar sem motivo", esclarece.
 

Consuma com moderação

Por outro lado, por mais desconfortante que seja viver em meio a um cenário de caos e sensação crescente de violência, como acontece nos grandes centros urbanos, tornar-se alheio a tudo o que é noticiado ou banalizar as tragédias não são a melhor atitude. "Tentar sofrer menos é o princípio de qualquer desequilíbrio emocional", acredita o psiquiatra José Toufic Thomé, vice-presidente do grupo de intervenção em desastres e crises da Associação Mundial de Psiquiatria.
 
Para ele, quem tenta tapar o sol com a peneira apenas adia o dissabor e poderá adoecer mais adiante, por não ter lidado com a realidade como ela é. "Agora, se eu tenho a consciência do que sinto e dou nome àquele sentimento, consigo colocar para fora, em vez de reprimir uma ansiedade que, a médio e longo prazos, pode virar angústia", defende. 
 
Felizmente, é possível lançar mão de estratégias que ajudam a minimizar os impactos das notícias ruins. Uma delas é escolher veículos de comunicação sem apelo sensacionalista para se inteirar. "Parte da mídia abusa do medo para vender suas matérias", diz Armando Ribeiro. Além disso, é interessante considerar que notícias que trazem imagens são muito mais impressionantes do que as veiculadas no rádio, por exemplo.
 
"O estímulo visual é o pior de todos e o mais difícil de esquecer. Por isto, quem já sabe que é facilmente impressionável deve evitar assistir vídeos que mostram tragédias", recomenda Ana Maria Rossi. Por fim, deixe para se atualizar sobre os acontecimentos no começo do dia e reserve o final da tarde e a noite para práticas relaxantes, que promovem um sono tranquilo. "Uma ótima ideia é substituir o hábito de acompanhar o noticiário da noite por uma leitura de poesia, romance ou filosofia, pela prática de um hobby ou por uns minutos de meditação", sugere Ribeiro.

Comentários

  1. The mind does not distinguish the stress of real or imaginary, so delve into the details of a bad news can be costly to your health...

    La mente no distingue el estrés de la real o imaginaria, para ahondar en los detalles de una trágica noticia puede ser costoso para su salud...

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