terça-feira, dezembro 27, 2016

Ansiedade é doença: saiba como ela age e como tratar



 Ansiedade é doença: saiba como ela age e como tratar
Com demandas demais e cobranças por todos os lados, ela pode virar uma ameaça constante e paralisante, isto é, doença. Pare e peça ajuda.

“A ansiedade é quando faltam cinco minutos sempre para o que quer que seja.” A definição da escritora e roteirista Adriana Falcão, no livro Mania de Explicação, vai no ponto. Ansiedade é a preocupação com o que está por vir, o frio na barriga e o receio diante de situações percebidas como ameaçadoras. “Ela aciona a produção de hormônios que nos suprem de energia física e mental para enfrentar uma apresentação no trabalho, uma competição esportiva ou uma situação de risco (como um incêndio em casa), da qual precisamos fugir”, explica o psiquiatra Ricardo Torresan, colaborador do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Unesp, em Botucatu (SP).

Logo, diferentemente do que se imagina, a ansiedade é benéfica. “A natureza nos dotou desse mecanismo para aumentar as chances de sobrevivência em um ambiente hostil”, diz o psicólogo Armando Ribeiro, de São Paulo, especialista no assunto. “Usamos o lado bom da ansiedade quando vemos as dificuldades como desafios e canalizamos uma força extra – pensamento mais ágil, músculos mobilizados – para sair da acomodação e perseguir os objetivos”, afirma Ribeiro.

Em vez de feras e tragédias, a ameaça mais comum hoje pode ser a demissão; portanto, é normal ficar apreensiva diante dessa possibilidade. Vira um problema se a ansiedade se torna uma presença constante e atrapalha o desenrolar da rotina. “É como um alarme de carro que dispara toda hora sem que alguém tente arrombá-lo”, compara o psicólogo. “O dispositivo quebrado dá sinais de perigo mesmo quando não há risco algum.” No ansioso, as preocupações dominam o pensamento, o que resulta em medo – e ele consome tanta energia que é impossível sair da inércia e realizar o que precisa ser feito.

Não dorme bem, não come nem produz direito. A autoestima cai, aumentam a angústia e a frustração, a resistência é derrubada e fica mais susceptível a infecções, distúrbios cardiovasculares e depressão. Ele não está sozinho. Um dado anunciado em janeiro pela Organização Mundial da Saúde alerta que 33% da população do planeta sofre de ansiedade.

AS VÁRIAS FACES

“Diversos transtornos têm a ansiedade como denominador comum, embora ela se manifeste de formas distintas”, diz a psiquiatra Andrea Mazzoleni, da Beneficência Portuguesa, em São Paulo. Na fobia social, o medo da avaliação alheia é tão grande que a pessoa nem consegue ir a um restaurante. Nas fobias específicas, estar diante do objeto temido (avião, aranha, lugar fechado) desencadeia a crise. A síndrome do pânico caracteriza-se por episódios súbitos de aflição, com sintomas intensos que levam o paciente a crer que está enfartando ou à beira da morte.

Depois de assaltos, sequestros e guerras, a lembrança recorrente – o stress pós-traumático – faz a ansiedade se misturar à reação de sobressalto. Já no transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), pensamentos trágicos e insistentes geram temor intenso. Para aliviá-lo, a pessoa cria rituais, como se eles pudessem sanar o problema. Exemplos: com medo de doença, ela gasta um sabonete por banho. Ou checa incessantemente se as portas e janelas estão bem trancadas antes de sair de casa – a ponto de perder compromissos. No transtorno de ansiedade generalizada, qualquer expectativa e preocupação viram fonte de grande sofrimento.

O que faz a ansiedade chegar a níveis máximos é um conjunto de fatores físicos (genéticos, hormonais) e ambientais (muitas demandas para resolver, excesso de informação e convivência com ansiosos que veem perigo em tudo). Ela atinge mais a mulher – para cada homem, há duas ou três, o que leva à suspeita de que hormônios femininos tenham peso em sua incidência. Junte-se a isso a cobrança. “A mulher é mais vulnerável por ter que dar conta da casa e do trabalho”, afirma Mazzoleni.

A sociedade competitiva, que exige 24 horas de conectividade, põe mais carga em todos. Quem não se desliga do trabalho e não dorme direito por causa dele é supervalorizado. O custo é alto: “Os ultrarresponsáveis e comprometidos demoram a perceber que gastam energia além do necessário; acostumam-se a viver sob tensão”, alerta o psiquiatra Felipe Corchs, professor colaborador do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Como se não bastasse, crescem as evidências de que a ansiedade crônica muda a percepção da realidade.

Um estudo do Instituto Weizmann de Ciências, de Israel, publicado em março na revista americana Current Biology, mostrou que pessoas diagnosticadas com esses transtornos têm dificuldade de distinguir estímulos seguros e neutros dos ameaçadores. Os pesquisadores relacionaram isso a mudanças na química cerebral, em especial à habilidade de estabelecer conexões entre os neurônios, o que afeta a capacidade de entender a realidade de forma objetiva. Concluíram que o ansioso tende a generalizar as experiências emocionais, enxergando-as sempre pelo lado catastrófico.

TREINAMENTO DO FOCO

Com base no achado, criou-se um método para treinar o cérebro a ignorar o estímulo ameaçador e focar em outro mais leve ou neutro. “Ele tem sido aplicado em fobias específicas em crianças e TOC em adultos, com bons resultados”, diz Torresan. Por enquanto, tem indicação apenas para quem não responde ao tratamento convencional. Mas, ele acredita, se o sucesso for confirmado, abre a possibilidade de atendimento online e de criação de aplicativos auxiliares.

Cientistas da Universidade de Nova York já testam um game que promete reduzir a ansiedade se jogado por 25 minutos diários. Tirar férias, receber massagem e praticar exercícios traz melhora, admite Corchs: “Mas, se houver um transtorno, o alívio é só temporário”. Afinal, como alerta Ribeiro: “Não se conserta vazamento tirando água com balde; é preciso achar o cano furado”. O psicólogo destaca a importância de modificar pensamentos que levam às crises. O ansioso tem a percepção de que tudo é urgente, os problemas ultrapassam sua capacidade e repete: “Não consigo, vai dar errado, está tudo perdido”. Ribeiro afirma: “Esses pensamentos automáticos, repetidos como mantras, pilham a mente, minam a autoconfiança e trazem sensação de derrota”.

A psicoterapia cognitiva comportamental ajuda a tomar ciência dos pensamentos distorcidos e se libertar. “Ela tem se mostrado tão eficaz quanto medicamento e, em certos casos, superior, como nas fobias específicas”, afirma Torresan. “Os melhores resultados, porém, são obtidos ao associar psicoterapia a medicação.” Outro benefício da psicoterapia é ajudar a rever as próprias escolhas. “As pessoas não percebem que desrespeitam seus limites”, relata Mazzoleni. “Programam 50 tarefas para o dia e querem ter disposição de realizar todas dormindo só quatro horas.” Quando o quadro é grave e a pessoa fica agressiva, os medicamentos são indispensáveis.

“Porque, nesse ponto, o terapeuta não consegue uma abertura para trabalhar”, explica Ribeiro. Os indicados são os antidepressivos (fluoxetina, paroxetina, tetralina, escitalopram e citalopram), que aumentam a serotonina, neurotransmissor ligado ao bem-estar. Os resultados podem demorar 12 semanas a aparecer. Em certos casos, são prescritos benzodiazepínicos, os calmantes tarja preta, para alívio da insônia. Meios para se livrar do tormento existem. Cabe ao ansioso deixar de bancar o forte, de dizer: “Eu aguento”. E pedir ajuda.

Fonte: Cláudia

Ansiedade é doença? Revista Cláudia

segunda-feira, dezembro 12, 2016

Aperte a tecla pause!


Contribuição para a matéria "Aperte a tecla pause" da jornalista Gisele Bortoleto da revista Bem Estar do jornal Diário da Região. Pra sair do piloto automático e retomar o controle da sua vida é importante se permitir pequenas pausas no seu dia... #mindfulness #atençãoplena#meditação #contemplação #espiritualidade #oração

terça-feira, dezembro 06, 2016

Epidemia de ansiedade?

Prof Armando Ribeiro foi um dos especialistas consultados para a matéria de capa da revista Cláudia (dez/2016) sobre "Epidemia de Ansiedade", produzida pela jornalista Cristina Nabuco. 

Epidemia de Ansiedade
Uma em cada três pessoas sofre com o problema
Com demandas demais a resolver ao mesmo tempo, excesso de informação e cobranças por todos os lados, ela pode virar uma ameaça constante e paralisante, isto é, doença. Pare e peça ajuda.

Prof Armando Ribeiro abordou as questões relacionadas a função da ansiedade em nosso organismo, bem como da terapia cognitivo-comportamental (psicoterapia) para os mais diversos quadros de ansiedade patológica.

"Não se conserta vazamento tirando água com balde; é preciso achar o cano furado" (...) Afirmou o Prof Armando Ribeiro sobre a importância da psicoterapia (Terapia Cognitivo-Comportamental) no tratamento da ansiedade patológica para a jornalista da revista Cláudia.

segunda-feira, dezembro 05, 2016

Análise Direta: "Níveis de estresse - Armando Ribeiro"

Participação do Prof Armando Ribeiro no programa Análise Direta da RIT TV apresentado por Patricia Biasi. Neste programa discutiremos sobre os níveis de estresse e algumas estratégias para reduzir o estresse excessivo em nossas vidas.

Bastidores do programa Análise Direta da RIT TV sobre os diferentes níveis de estresse

 
Bastidores do programa Análise Direta da RIT TV (nos estúdios de SP - capital) apresentado por Patrícia Biasi e produção executiva de Fabiana Silveira.

Prof Armando Ribeiro foi convidado para explicar os estágios do estresse e também sobre as novidades da gestão do estresse no programa Análise Direta da RIT TV.

O Prof Armando Ribeiro contou para a apresentadora Patrícia Biasi da RIT TV sobre os modernos equipamentos de biofeedback / neurofeedback capazes de mensurar as alterações do sistema nervoso (ex. frequência cardíaca, tensão muscular, atividade eletrodérmica e etc.) relacionadas a resposta ao estresse psicossocial.

Utilizando um moderno equipamento de biofeedback de atividade eletrodérmica o Prof Armando Ribeiro demonstrou para a apresentadora a fluidez da resposta ao estresse, através da ativação do sistema nervoso simpático (resposta de fuga - luta).

A apresentadora quis saber sobre as estratégias para reduzir o estresse excessivo em nossas vidas, a partir de pequenas mudanças nos nossos hábitos cotidianos e estilo de vida. 

A resposta ao estresse é uma reação adaptativa e de sobrevivência dos organismos, mas aprender a gerenciar o estresse excessivo é fundamental para uma vida saudável e equilibrada. 

É possível através da neuroplasticidade treinar o cérebro para se tornar resiliente ao estresse excessivo e principalmente desenvolver atitudes positivas para enfrentá-lo.

A psicoterapia (terapia cognitivo-comportamental) é uma das abordagens baseadas nas evidências científicas para reduzir o estresse excessivo da nossa vida.

Práticas meditativas (ex. mindfulness, atenção plena), exercícios de yoga, tai chi, respiração profunda, massoterapia, acupuntura e etc. são alguns exemplos de caminhos saudáveis para lidar com o estresse diário.

Aprender a gerenciar o estresse excessivo é uma das habilidades necessárias para viver plenamente no século XXI.

A felicidade dentro da empresa é lucro. Época Negócios

sábado, dezembro 03, 2016

De 10 trabalhadores, 3 tem estresse no mais alto nível

video
De cada 10 trabalhadores brasileiros, 3 tem estresse no mais alto nível. O dado preocupante é de uma pesquisa da Associação Internacional do Controle do Estresse. Participação do Prof Armando Ribeiro no jornal da RIT TV.

I Simpósio Bem Estar e Comportamentos Saudáveis da UFMG

Conservatório da UFMG
I Simpósio Bem Estar e Comportamentos Saudáveis da UFMG
I Encontro da Associação Mineira de Psiquiatria 
com estudantes de graduação em Medicina e residentes de Psiquiatria

Prof Armando Ribeiro foi um dos especialistas convidados pela comissão organizadora do evento para ministrar a conferência "Bem Estar no ambiente de trabalho: como e por quê? O que aprendemos no Center for Wellness da Harvard?". O convite oficial foi realizado pelo Prof. Dr. Humberto Corrêa - professor titular de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da UFMG

Na conferência, destacamos a participação do Prof. Dr. Humberto Correa e também da presença do Prof Dr Maurício Leão de Rezende - atual presidente da Associação Mineira de Psiquiatria, entre outros professores e pesquisadores da UFMG.

A felicidade dentro da empresa é lucro? A entrevista especial do Prof Armando Ribeiro para a revista Época Negócios foi tema da conferência sobre bem-estar e comportamentos saudáveis da UFMG. 

Estudos da Harvard Business School já demonstraram o ROI (Return on Investment) dos bons programas de promoção da qualidade de vida no trabalho e bem-estar.   

Programas de qualidade de vida no trabalho devem estar alinhados ao planejamento estratégico dos negócios e não apenas encarados como uma "moda" passageira para gerar publicidade.

Profissionais da saúde e consultores de qualidade de vida no trabalho (QVT) devem estar atualizados nos mais recentes estudos sobre as evidências científicas dos programas de QVT.


Bem Estar no ambiente de trabalho: como e por quê? O que aprendemos no Center for Wellness da Harvard?

A conferência foi prestigiada pela presença da Dra Sofia Bauer. A Dra Sofia apresentou a conferência "Psiquiatria e Bem Estar".

Na conferência do Prof Armando Ribeiro houve a presença do Prof Dr Maurício Leão de Rezende - atual presidente da Associação Mineira de Psiquiatria.

quinta-feira, dezembro 01, 2016

Estresse: Como combater o mal do século? Programa Vida Melhor da REDEVIDA

Prof Armando Ribeiro é o especialista convidado pela produção do programa Vida Melhor da REDEVIDA apresentado por Cláudia Tenório para discutir as novidades sobre o diagnóstico e as estratégias para a gestão do estresse.

Bem-estar e relações saudáveis serão abordados em simpósio nesta semana

Caminhada pelo envelhecimento saudável realizada em São Paulo, em setembro de 2013

Nos dias 2 e 3 de dezembro, o Conservatório UFMG sediará o 1º Simpósio bem-estar e comportamentos saudáveis. No evento, que reunirá professores da Faculdade de Medicina, serão discutidos os múltiplos determinantes do bem-estar. A realização é da Associação Mineira de Psiquiatria e do Departamento de Saúde Mental da UFMG.

Segundo o professor Humberto Corrêa, que organiza o encontro, o bem-estar, a felicidade e as relações saudáveis são temas cada vez mais relevantes na agenda contemporânea. “Devemos mudar nosso foco, da doença para a saúde. Bem-estar traz benefícios tangíveis para empresas”, defende.

Participarão do simpósio Frederico Garcia e Humberto Corrêa, do Departamento de Saúde Mental, João Gabriel Marques e Ênio Pietra, do Departamento de Clínica Médica, e Maria Isabel Correia, do Departamento de Cirurgia.

As inscrições são gratuitas para os estudantes de medicina da UFMG. As 30 vagas disponíveis serão preenchidas por ordem de chegada. Os interessados devem se inscrever até amanhã, 29 de novembro, às 12h, na Secretaria do Departamento de Saúde Mental da UFMG, sala 235.

A programação está disponível neste link. O Conservatório UFMG está situado na Avenida Afonso Pena, 1.534, Centro.