quinta-feira, março 30, 2017

LIVRO COMEMORA 15 ANOS DO PROJETO QUE INSTALA ATELIÊS EM CANTEIROS DE OBRAS

 
"Mestres da Obra - O livro" conta a trajetória do projeto que leva qualidade de vida e desenvolvimento cultural aos operários da construção civil.

O arquiteto Arthur Pugliese e o educador ambiental Daniel Cywinski criaram, em 2000, o projeto Mestres da Obra, que transforma canteiros de obras em ateliês para levar arte e educação aos operários da construção civil.

Nascido como um projeto e depois institucionalizado como uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), o Mestres da Obra promove o desenvolvimento sociocultural por meio de ateliês de arte – música, escultura, artes visuais, fotografia, pintura, design, teatro e literatura.

“Mestres da Obra – O Livro”, comemora os 15 anos desta história. Percorrendo a linha do tempo do projeto – desde os rascunhos à mão das primeiras ideias até o circuito cultural que percorreu construções de todo o país –, a obra reúne imagens e textos que retratam questões como emprego, migração, identidade cultural e o papel transformador da arte no cotidiano destes trabalhadores.


Com projeto gráfico de Rico Lins, o livro traz textos do arquiteto e educador Ciro Pirondi, Fernando Mascaro, especialista em sustentabilidade, e Armando Ribeiro das Neves, psicólogo especialista em felicidade no trabalho, além de citações de profissionais de diversas áreas, como o filósofo Mario Sérgio Cortella e o artista e arquiteto Sérgio Ferro, incitando reflexões sobre essa experiência pioneira no mundo, que explora o universo da educação e cultura livres e propõe novas formas de diálogo e exercício da cidadania.

Patrocinado pela Vedacit e Itaú, “Mestres da Obra – O Livro” poderá ser adquirido por meio de uma campanha de crowdfuding.

Mestres da Obra - O livro.

Mestres da Obra - O livro
Lançamento no espaço Itaú Cultural

Com Arthur Pugliese da Organização Social (OSCIP) Mestres da Obra no espaço Itaú Cultural para o lançamento do livro "Mestres da Obra". O livro conta a história do projeto e contou com um pequeno texto meu sobre a importância da felicidade no trabalho.

Com fundadores do projeto Mestres da Obra durante o lançamento do livro no espaço Itaú Cultural.

 Reprodução da obra "Dia a Dia" (Autor: Antonio Herminio do Nascimento)




Mestres da Obra – O Livro from Rico Lins +Studio on Vimeo.

quarta-feira, março 29, 2017

Lançamento do livro "Mestres da Obra"


Mestres da Obra, Vedacit, Itaú e Ministério da Cultura convidam para o lançamento:

Mestres da Obra - O livro

Convidamos a todos para o lançamento do nosso primeiro livro, que retrata os 15 anos de historia da Organização Mestres da Obra, uma organização que, através da arte, trás humanização para dentro do canteiro de obras, mudando a vida e a forma como são vistos os trabalhadores da construção civil, construtores dos nossos lares e cidades.

Nosso diário e as portas estarão abertas para recebê-los dia 29 de Março, no Itaú Cultural:
Av. Paulista, 149 - Sala Vermelha | 3º Andar. 19h - 22h

Ministério da Saúde inclui 14 novos procedimentos na Política Nacional de Práticas Integrativas


O Ministério da Saúde incluiu nesta terça-feira (28) 14 novos procedimentos à Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PICs) do Sistema Único de Saúde (SUS). São tratamentos que utilizam recursos terapêuticos, baseados em conhecimentos tradicionais, voltados para curar e prevenir diversas doenças como depressão e hipertensão. A inclusão foi realizada por meio da Portaria nº 849/2017, publicada no Diário Oficial da União (D.O.U).

A partir de agora, o SUS passa a ofertar 19 práticas integrativas e complementares à população – até então eram cinco – no âmbito do Sistema Único de Saúde. São elas: homeopatia, Medicina Tradicional Chinesa/acupuntura, medicina antroposófica, plantas medicinais e fitoterapia e termalismo social/crenoterapia, arteterapia, ayurveda, biodança, dança circular, meditação, musicoterapia, naturopatia, osteopatia, quiropraxia, reflexoterapia, reiki, shantala, terapia comunitária integrativa e yoga.

Essa nova portaria complementa outra, a de nº 145/2017, publicada em janeiro deste ano, que incluiu no rol de procedimentos do SUS as práticas integrativas de arteterapia, meditação, musicoterapia, tratamento naturopático, tratamento osteopático, tratamento quiroprático e Reiki. Esses procedimentos já eram oferecidos por vários municípios brasileiros, segundo dados do Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade na Atenção Básica (PMAQ-AB), mas, com as inclusões, o Ministério da Saúde passou a ter informações qualificadas dessas práticas em todo o país.

Além das inclusões, a Portaria nº 145/2017 também renomeou procedimentos que já estavam no rol das PICS para facilitar a identificação, pelos gestores, dos procedimentos nos sistemas de informação do SUS. As novas nomenclaturas são para terapia comunitária, dança circular/biodança, yoga, oficina de massagem/automassagem, sessão de auriculoterapia, sessão de massoterapia, e tratamento termal/crenoterápico.

PANORAMA – Desde a implantação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, do Ministério da Saúde, em 2006, a procura e o acesso dos usuários do SUS a esses procedimentos tem crescido significativamente. Em 2016, mais de 2 milhões de atendimentos das PICs foram realizados nas Unidades Básicas de Saúde de todo o país, sendo 770 mil de medicina tradicional chinesa, incluindo acupuntura, 85 mil de fitoterapia, 13 mil de homeopatia e 923 mil de outras práticas integrativas que ainda não possuíam código próprio para registro e que passaram a fazer parte do rol no início do ano.

Além disso, a implementação do e-SUS e do prontuário eletrônico tem melhorado a qualidade do registro, o que tem aumentado o número de procedimentos realizados e informados pelas unidades de saúde em todo o Brasil. Outro fator importante foram os cursos de práticas integrativas e complementares ofertados pelo Ministério da Saúde, de 2014 a 2016, para mais de 17 mil trabalhadores de saúde no País. Existem, ainda, mais de 100 mil profissionais na atenção básica e 47 mil em unidades de saúde com formação e habilitação em alguma das práticas integrativas e complementares.

Atualmente, 1.708 municípios oferecem práticas integrativas e complementares e a distribuição dos serviços está concentrada em 78% na atenção básica, principal porta de entrada do SUS, 18% na atenção especializada e 4% na atenção hospitalar. Mais de 7.700 estabelecimentos de saúde ofertam alguma prática integrativa e complementar, o que representa 28% das Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Os recursos para as PICS integram o Piso da Atenção Básica (PAB) de cada município, podendo o gestor local aplicá-los de acordo com sua prioridade. Em 2016, o investimento do Ministério da Saúde na Atenção Básica foi de R$ 16,7 bilhões para todo o país. Alguns tratamentos específicos, como acupuntura recebem outro tipo de financiamento, que compõe o bloco de média e alta complexidade, que, no ano passado, teve investimento total de R$ 45,2 bilhões. Estados e municípios também podem instituir sua própria política, considerando suas necessidades locais, sua rede e processos de trabalho.

SUS passa a oferecer 19 práticas integrativas e complementares

Estes tratamentos utilizam recursos terapêuticos, baseados em conhecimentos tradicionais, voltados para curar e prevenir diversas doenças como depressão e hipertensão. https://goo.gl/LRc0Le

O estresse é a principal causa de visitas médicas neste país...


"O estresse é a principal causa de visitas médicas neste país; Se quisermos preparar nossas crianças para viver no século 21, precisamos ensinar habilidades para lidar com o estresse e promover o bem-estar físico e emocional. Habilidades de resiliência são tão importantes para nossos filhos e adolescentes como qualquer outra habilidade que eles vão aprender na escola, porque são habilidades que utilizarão em todos os aspectos de suas vidas."
Dr. Herbert Benson 
Pioneiro da Medicina Mente-Corpo

"El estrés es la principal causa de visitas médicas en este país; Si vamos a preparar a nuestros hijos a vivir en el siglo 21, que tenemos que enseñarles las habilidades para lidiar con el estrés y promover el bienestar físico y emocional. Las destrezas de resistencia son tan importantes para nuestros niños y adolescentes como cualquier otra habilidad que van a aprender en la escuela, porque estas son habilidades que necesitarán invocar en todos los aspectos de sus vidas."
Dr. Herbert Benson
Pioneer de la medicina del cuerpo de la mente

"Le stress est la première cause de visites médicales dans ce pays; Si nous devons préparer nos enfants à vivre au 21e siècle, que nous devons leur enseigner les compétences pour faire face au stress et promouvoir le bien-être physique et émotionnel. Les compétences en résilience sont aussi importantes pour nos enfants et les adolescents que toute autre compétence qu'ils vont apprendre à l'école, parce que ce sont des compétences qu'ils auront besoin d'appeler dans tous les aspects de leur vie." 
Dr. Herbert Benson

"Stress is the number one cause of medical visits in this country; if we are to prepare our children to live in the 21st century, than we need to teach them the skills to deal with stress and promote physical and emotional wellness. Resiliency skills are as important for our children and teens as any other skill they will learn in school, because these are skills they will need to call upon in all aspects of their lives."
Dr. Herbert Benson
Mind Body Medicine Pioneer

terça-feira, março 28, 2017

Ministério da Saúde inclui ayurveda, quiropraxia, ioga e shantala entre as práticas no SUS

Arteterapia, biodança, dança circular, meditação, musicoterapia, naturopatia, osteopatia, reflexoterapia e reiki também foram incluídas na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares.

Portaria do Ministério da Saúde, publicada nesta terça-feira (28) no Diário Oficial da União, incluiu 14 novas terapias alternativas na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC). Em janeiro, o ministério havia anunciado que esses procedimentos seriam oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Fram incluídas na PNPIC, segundo a portaria nº 849 desta terça-feira, a arteterapia, ayurveda, biodança, dança circular, meditação, musicoterapia, naturopatia, osteopatia, quiropraxia, reflexoterapia, reiki, shantala, terapia comunitária integrativa e ioga.

A Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares do Ministério da Saúde foi criada em 2006 e instituiu no SUS abordagens da medicina alternativa, como fitoterapia, acupuntura, homeopatia, entre outras.

Cada município é responsável por oferecer os serviços à população nas Unidades de Atenção Básica. No entanto nem todas as cidades oferecem a totalidade das terapias que constam no PNPIC, pois cada município pode optar por práticas em que há demanda.

De acordo com o Ministério da Saúde, desde a criação em 2006 da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, mais de 5 mil estabelecimentos passaram a oferecer terapias alternativas.

Dra. Márcia Purceli fala da importância de práticas integrativas como meditação

Entenda as novas práticas incluídas no SUS

Arteterapia: uso da arte como parte do processo terapêutico.
Ayurveda: busca a cura para os males do corpo e da mente na natureza.
Biodança: é uma prática de abordagem sistêmica inspirada nas origens mais primitivas da dança, que busca restabelecer as conexões do indivíduo consigo, com o outro e com o meio ambiente.
Dança circular: é uma prática de dança em roda, tradicional e contemporânea.
Ioga: é uma prática que combina posturas físicas, técnicas de respiração, meditação e relaxamento.
Meditação: prática de concentração mental com o objetivo de harmonizar o estado de saúde.
Musicoterapia: uso dos elementos da música - som, ritmo, melodia e harmonia - com propósito terapêutico.
Naturopatia: uso de recursos naturais para recuperação da saúde.
Osteopatia: terapia manual para problemas articulares e de tecidos.
Quiropraxia: prática de diagnóstico e terapia manipulativa contra problemas do sistema neuro-músculo-esquelético.
Reflexoterapia: é uma prática que utiliza estímulos em uma parte do corpo afastada da lesão.
Reiki: prática de imposição das mãos por meio de toque ou aproximação para estimular mecanismos naturais de recuperação da saúde.
Shantala: massagem usada para aliviar dores e acalmar os bebês e crianças.
Terapia comunitária integrativa: é desenvolvida em formato de roda, visando trabalhar a horizontalidade e a circularidade.

Fonte: G1

Ministério inclui ioga, biodança, meditação e outras 11 terapias no SUS

Portaria publicada no 'Diário Oficial' coloca atividades na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares

Ioga, meditação, reiki e mais 11 opções serão oferecidas aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) pelo País. Portaria do Ministério da Saúde publicada nesta terça-feira, 28, no Diário Oficial da União amplia de 5 para 19 a lista das chamadas práticas alternativas - há ainda a inclusão de arteterapia, ayurveda, biodança, dança circular, musicoterapia, naturopatia, osteopatia, quiropraxia, reflexoterapia, shantala e terapia comunitária.

Trazidas das medicinas milenares, como as orientais, tais práticas têm como objetivo cuidar do paciente em todas as suas dimensões, não somente a física, e atuar tanto como coadjuvante no tratamento de doenças quanto como estratégia de promoção de saúde. “Faz parte da estratégia de prevenção. Queremos que as pessoas procurem menos os hospitais”, afirmou o ministro da Saúde, Ricardo Barros, ao justificar a medida. Ele mesmo diz já ter feito reflexoterapia e quiropraxia.

Chamadas no Ministério da Saúde de Integrativas Complementares, as práticas alternativas começaram a ser ofertadas no SUS em 2006. Atualmente, 1.708 municípios oferecem esses serviços. A maioria está na atenção básica (78%). Há também serviços especializados (18%) e hospitais (4%) públicos que dispõem desses recursos. Cerca de 7,7 mil estabelecimentos de saúde apresentam alguma dessas práticas - o equivalente a 28% das Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Os serviços são montados a critério do interesse das prefeituras. “Esse mecanismo vai continuar. O que muda, agora, é a ampliação das possibilidades de oferta de atividades”, disse o ministro. Segundo Barros, todas as pessoas poderão ter acesso às terapias, independentemente de problemas de saúde.

De acordo com o ministério, muitos municípios já haviam expandido a oferta de práticas alternativas nos últimos anos. As novas modalidades, no entanto, vinham sendo pagas pelas prefeituras que tomaram a iniciativa de fazer a ampliação. Com a portaria, os recursos do Ministério da Saúde poderão ser usados também para custear as práticas recém incluídas na lista. 

Oferta. Na rede municipal da capital paulista, parte dos estabelecimentos já vinha promovendo sessões de reiki, reflexoterapia, quiropraxia e terapia comunitária integrativa, quatro das novas modalidades.

Já no Hospital São Paulo, vinculado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na zona sul paulistana, diversos ambulatórios utilizam a maioria das novas modalidades como terapias complementares ao tratamento convencional, como é o caso do Ambulatório de Cuidados Integrativos, que, há cinco anos, atende pacientes com doenças neuromusculares graves.

“Nosso programa integra a medicina de ponta, de alta tecnologia, com as chamadas medicinas milenares, que entendem o homem em sua composição multidimensional, ou seja, como indivíduo que tem uma condição física, mas também psicológica, social e espiritual. Esses pacientes não deixam de receber as abordagens convencionais, como medicamentos, fisioterapia e fonoaudiologia, mas a realização das práticas integrativas auxilia em vários aspectos e melhora a qualidade de vida”, explica Sissy Veloso Fontes, professora afiliada do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Unifesp e coordenadora do ambulatório. Em escolas e clínicas particulares da capital, o número de pessoas que buscam as técnicas como tratamento coadjuvante para problemas de saúde é cada vez maior.

“Uma das queixas mais comuns de quem nos procura são problemas como ansiedade, depressão, síndrome do pânico, mas também há quem busque essas terapias para ajudar no alívio de dores ou para conquistar um reequilíbrio de energias necessário para ajudar no processo de cura”, diz Simone Saavedra, professora de ioga, terapeuta ayurvédica e coordenadora da escola SimYoga, em Perdizes (zona oeste).

Embora a lista de terapias disponíveis no SUS tenha aumentado de forma expressiva, os recursos usados para financiá-las não serão alterados. Os serviços serão custeados pelo PAB, um bloco de repasses do governo federal para municípios usado para financiar atenção básica de saúde. “Caberá ao gestor fazer a opção sobre a melhor forma de usar os recursos”, disse o ministro. Isso significa que, caso o secretário municipal decida ofertar alguma prática, terá de retirar recursos de um bloco usado para custear, por exemplo, o Saúde da Família.

OMS. Na justificativa para a inclusão de novas práticas, o Ministério da Saúde afirmou levar em consideração orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS). O ministério não especificou na portaria quais são os requisitos e a formação necessários para a contratação dos profissionais para prestar esse tipo de serviço nas unidades públicas. 

Estudos científicos recentes apontam benefícios da ioga

Diversos estudos científicos recentes têm apontado que a ioga é benéfica à saúde. Em janeiro, cientistas da Universidade de Maryland (EUA) mostraram que a prática pode, no curto prazo, reduzir o sofrimento e restabelecer capacidades funcionais de pessoas com dor lombar.

Também em janeiro pesquisadores da Associação Americana de Terapia Física publicaram artigo na Rehabilitation Oncology em que recomendam ioga para crianças com câncer em tratamento quimioterápico e relatam melhora na qualidade de vida - dos pacientes e dos pais.

Em 2016, a Sociedade de Cardiologia da Índia divulgou estudo que indicava a prática uma hora por dia para reduzir pressão sanguínea em pacientes com pré-hipertensão. No mesmo ano, cientistas da Universidade da Pensilvânia (EUA) publicaram no Journal of Clinical Psychiatry que a ioga ajuda a aliviar a depressão severa em pessoas que não respondem a tratamentos com antidepressivos tradicionais. 

Pesquisadores da Universidade Estadual da Geórgia (EUA) apontaram ainda que a ioga reduz sintomas de transtorno de ansiedade generalizada, como problemas de sono. Pessoas com asma também podem ser beneficiadas, conforme estudo da Universidade Chinesa de Hong Kong publicado em abril de 2016.

Fonte: ESTADÃO

SUS vai oferecer ioga, meditação e outras 12 terapias

Ministério da Saúde publicou portaria incluindo 14 atividades que vão compor a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares

São Paulo – O Ministério da Saúde publicou no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira, 28, portaria em que inclui ioga, biodança, meditação e outras 11 terapias alternativas no Sistema Único de Saúde (SUS). 

São elas: arteterapia; ayurveda; dança circular; musicoterapia; naturopatia; osteopatia; quiropraxia; reflexoterapia; reiki; shantala; e terapia comunitária integrativa. 

Com a portaria, as 14 atividades passam a compor a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares. Já faziam parte desse grupo homeopatia; medicina tradicional chinesa; medicina antroposófica; plantas medicinais e fitoterapia; e termalismo social/crenoterapia. 

Segundo o texto publicado no DOU, um dos objetivos da inclusão das 14 práticas no SUS é “valorizar os saberes populares e tradicionais e as práticas integrativas e complementares”. 

O ministério levou em conta uma orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) que “incentiva e fortalece a inserção, reconhecimento e regulamentação destas práticas, produtos e de seus praticantes nos sistemas nacionais de saúde”. 

“Neste sentido, (a OMS) atualizou as suas diretrizes a partir do documento Estratégia da OMS sobre Medicinas Tradicionais”, diz o texto do Diário Oficial. 

De acordo com o ministério, as medicinas tradicionais e complementares são compostas por “abordagens de cuidado e recursos terapêuticos que se desenvolveram e possuem um importante papel na saúde global”.

Fonte: Exame

“A psiquiatria está em crise”

Jornalista quer provar que doenças mentais não se devem
a alterações químicas do cérebro

Tudo começou com duas perguntas. Como é possível que os pacientes de esquizofrenia evoluam melhor em países onde são menos medicados, como a Índia e a Nigéria, do que em nações como os Estados Unidos? E como se explica, tal como proclamou em 1994 a Escola de Medicina de Harvard, que a evolução dos pacientes de esquizofrenia tenha piorado com a implantação de medicamentos, em relação aos anos setenta? Essas duas perguntas inspiraram Robert Whitaker a escrever uma série de reportagens para o jornal Boston Globe – finalista do prêmio Pulitzer de Serviço Público – e dois polêmicos livros. O segundo, Anatomy of an Epidemic (“Anatomia de uma epidemia”, em tradução literal), foi premiado como o melhor livro investigativo de 2010 por editores e jornalistas norte-americanos.

No decorrer dessa pesquisa, surgiu uma corrente de dados avassaladores: em 1955, havia 355.000 pessoas em hospitais com um diagnóstico psiquiátrico nos Estados Unidos; em 1987, 1,25 milhão de pessoas no país recebia aposentadoria por invalidez por causa de alguma doença mental; em 2007, eram 4 milhões. No ano passado, 5 milhões. O que estamos fazendo de errado?

Whitaker (Denver, Colorado, 1952) se apresenta, humildemente, com as mãos nos bolsos, em um hotel de Alcalá de Henares, na periferia de Madri. Sua cruzada contra os comprimidos como solução contra os distúrbios mentais não vai mal. Prestigiadas escolas de medicina o convidam a explicar seus trabalhos. “O debate está aberto nos Estados Unidos. A psiquiatria está entrando em um novo período de crise no país, porque a história que nos contaram desde os anos oitenta caiu por terra”.

Pergunta. No que consiste essa história falsa que, segundo o senhor, nos foi contada?
Resposta. A história falsa nos Estados Unidos e em parte do mundo desenvolvido é que a causa da esquizofrenia e da depressão seria biológica. Foi dito que esses distúrbios se deviam a desequilíbrios químicos no cérebro: na esquizofrenia, por excesso de dopamina; na depressão, por falta de serotonina. E nos disseram que havia medicamentos que resolviam o problema, assim como a insulina faz pelos diabéticos.


"Estão criando mercado para seus medicamentos e estão criando pacientes. É um êxito comercial"


P. Em Anatomy of an Epidemic, o senhor afirma que os psiquiatras aceitaram a teoria do desequilíbrio químico porque prescrever comprimidos os fazia parecer mais médicos, os igualava aos colegas de profissão.
R. Nos Estados Unidos e em muitos outros lugares, os psiquiatras sempre tiveram um complexo de inferioridade. O restante dos médicos costumava enxergá-los como se não fossem médicos autênticos. Nos anos setenta, quando faziam seus diagnósticos baseando-se em ideias freudianas, eram muito criticados. E como poderiam reconstruir sua imagem diante do público? Vestiram suas roupas brancas, o que lhes dava autoridade. E começaram a se chamar a si mesmos de psicofarmacólogos quando passaram a prescrever medicamentos. A imagem deles melhorou. O poder deles aumentou. Nos anos oitenta, começaram a fazer propaganda desse modelo, e nos noventa, a profissão já não prestava atenção a seus próprios estudos científicos. Eles acreditavam em sua própria propaganda.

P. Mas isso parece um exagero, não? É afirmar que os profissionais não levaram em conta o efeito que esses remédios poderiam ter na população.
R. É uma traição. Foi uma história que melhorou a imagem pública da psiquiatria e ajudou a vender medicamentos. No final dos anos oitenta, o comércio desses fármacos movimentava 800 milhões de dólares por ano. Vinte anos mais tarde, já eram 40 bilhões de dólares.

P. E agora o senhor afirma que há uma epidemia de doenças mentais criadas pelos próprios medicamentos.
R. Se estudarmos a literatura científica, observamos que já estamos utilizando esses remédios há 50 anos. Em geral, o que eles fazem é aumentar a cronicidade desses transtornos.

P. O que o senhor diz para as pessoas que tomam remédios? Alguns talvez não precisem, mas outros talvez sim. Essa mensagem, se for mal interpretada, pode ser perigosa.
R. Sim, é verdade. Pode ser perigosa. Bom, se a medicação funciona, fantástico. Há pessoas para quem isso funciona. Além disso, o cérebro se adapta aos comprimidos, o que significa que retirá-los pode ter efeitos graves. O que falamos no livro é sobre o resultado de maneira geral. Não sou médico. Sou jornalista. O livro não traz conselhos médicos, não é para uso individual. É para que a sociedade se pergunte: nós organizamos o atendimento psiquiátrico em torno de uma história cientificamente correta ou não?

A trajetória de Whitaker não foi fácil. Apesar de seu livro contar com muitas evidências e ter recebido muitos prêmios, a obra desafiou os critérios da Associação Norte-Americana de Psiquiatria (APA) e os interesses da indústria farmacêutica.

Mas, a essa altura, ele se sente recompensado. Em 2010, seus postulados eram vistos como uma “heresia”, segundo ele mesmo define. Desde então, novos estudos foram na direção para a qual ele apontava. Entre eles, os trabalhos do psiquiatras Martin Harrow e Lex Wunderink e o fato de a prestigiada revista científica British Journal of Psychiatry já assumir que é preciso repensar o uso de medicamentos. “Os comprimidos podem servir para esconder o mal-estar, para esconder a angústia. Mas não são curativos, não produzem um estado de felicidade”.

P. Vivemos em uma sociedade na qual precisamos pensar que os remédios podem resolver tudo?
R. Foi o que nos incentivaram a acreditar. Nos anos cinquenta, foram produzidos avanços médicos incríveis, como os antibióticos. Nos anos sessenta, a sociedade norte-americana começou a achar que havia uma fórmula mágica para curar muitos problemas. Na década de oitenta, foi promovida a ideia de que se uma pessoa estava deprimida, não era pelo contexto de sua vida, mas sim porque ela tinha um distúrbio mental – era uma questão química e havia um remédio que a faria se sentir melhor. O que se promoveu nos Estados Unidos, na realidade, foi uma nova forma de viver, que foi exportada para o resto do mundo. A nova filosofia era: você precisa ser feliz o tempo todo e, se não for, temos uma pílula.Mas o que sabemos é que crescer é difícil, surge todo tipo de emoções e é preciso aprender a organizar o comportamento.

P. Buscamos o conforto e o mundo vai se parecendo com aquele descrito por Aldous Huxley em Admirável Mundo Novo...
R. Desde agora. Perdemos a noção de que o sofrimento faz parte da vida, de que às vezes é muito difícil controlar a própria mente. As emoções que sentimos hoje podem ser muito diferentes daquelas da semana ou do ano seguintes. E nos fizeram ficar alertas o tempo todo em relação a nossas emoções.

P. Centrados demais em nós mesmos...
R. Exatamente. Se nos sentimos infelizes, pensamos que há algo errado conosco. Antes, as pessoas sabiam que era preciso lutar na vida; e não se incentivava tanto que pensassem em seu estado emocional. Com as crianças, se elas não comportam bem na escola ou não vão bem, logo alguém as diagnostica com déficit de atenção e diz que é preciso tratá-las.

P. A indústria ou a APA estão criando novas doenças que, na realidade, não existem?
R. Estão criando mercado para seus remédios e estão criando pacientes. Ou seja, se olharmos do ponto de vista comercial, o êxito desse setor é extraordinário. Temos pílulas para a felicidade, para a ansiedade, para que seu filho vá melhor na escola. O transtorno por déficit de atenção e hiperatividade é uma fantasia. É algo que não existia antes dos anos noventa.

P. A ansiedade pode se transformar em distúrbio?
R. A ansiedade e a depressão não estão muito longe uma da outra. Há pessoas que experimentam estados avançados de ansiedade, mas estar vivo é, muitas vezes, estar ansioso. Isso começou a mudar com a introdução dos benzodiazepínicos, com o Valium. A ansiedade deixou de ser um estado normal da vida para ser apresentada como um problema biológico. Nos anos oitenta, a APA pega esse amplo conceito de ansiedade e neurose, que é um conceito freudiano, e começa a associar a ele doenças como o transtorno do estresse pós-traumático. Mas não há ciência por trás dessas mudanças.

Fonte: ElPais

sábado, março 18, 2017

O caminho da vida...

O Caminho da Vida

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.
A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e morticínios.
Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria.
Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.
Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

Charles Chaplin

Aguardando o próximo valente... Psicoterapia

Aguardando o próximo valente... Psicoterapia

"Quem conhece os outros é inteligente. Quem conhece a si mesmo é iluminado. Quem vence os outros é forte. Quem vence a si mesmo é invencível." (Lao Tse)

terça-feira, março 14, 2017

segunda-feira, março 13, 2017

Identifique o seu nível de estresse

Do chamado estado de alerta à total exaustão, aprenda como reconhecer os sintomas e as causas deste problema.

Estresse é coisa séria. O termo é usado corriqueiramente e sem tanta importância, mas especialistas alertam que sintomas comuns presentes no dia a dia podem se agravar. O estresse pode ser dividido em quatro fases, sendo a última delas uma das responsáveis por infartos e AVC, tamanho o perigo.

Conheça os sinais de cada fase do estresse:

Fase 1: Alerta 
A primeira fase do estresse é chamada de alerta. Sinais como boca seca, pés e mãos gelados mostram que a vida não está se adequando às necessidades do corpo. “Normalmente uma mudança no estilo de vida já ajuda a amenizar esses sinais”, explica o psicólogo Armando Ribeiro, coordenador do Programa de Avaliação do Estresse do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Fase 2: Resistência 
Quando não tratado, o estresse anda na fase de alerta pode evoluir para a fase dois, conhecida por fase de resistência. Nesse período, a falta de memória já se instala, há também mal estar e a sensação de desgaste físico acima do comum. Mudanças de apetite também costumam aparecer, explica o psicólogo.

Fase 3: Quase exaustão 
A fase seguinte, chamada de quase exaustão, é onde se instalam os sintomas do burn out (o esgotamento profissional), além de outros. Os órgãos que têm mais vulnerabilidade começam a mostrar sinais de deterioração e o processo de adoecimento se inicia.

Fase 4: Exaustão 
A última fase, a da exaustão, é onde podem acontecer os infartos e AVC. “A pessoa precisa de tratamento na fase de quase exaustão e exaustão. A terapia cognitivo comportamental é usada para identificar onde estão os pensamentos estressores e ensinar a pessoa a lidar com isso”, explica Ribeiro.

O psicólogo defende que além dos sintomas, é preciso também identificar a causa. “A própria medicina não está olhando para o estresse, apenas para o efeito dele. Tratam os sintomas do estresse, mas não a causa”, explica.

Para ele, a causa do problema está em pensamentos estressantes, comuns principalmente nos moradores de grandes cidades. Cabe a cada um descobrir o que desencadeia a combinação dos hormônios adrenalina e cortisol, os causadores do estresse.

A adrenalina, por exemplo, só deve ser liberada no organismo durante situações de perigo ou de esforço, como durante a corrida. O que acontece com grande parte da população é que o hormônio é liberado muitas vezes durante o dia, mesmo quando se está em repouso.

Além disso, há o vilão cortisol, que, ao contrário da adrenalina – que depois da liberação desaparece do organismo rapidamente – este outro hormônio “que tinha função de preparar o organismo para batalhas mais duradouras”, como explica Ribeiro, pode permanecer em ação durante dias, ou até mesmo semanas.

Fonte: Saúde IG

Ética Profissional da Psicologia

Uma vez um aluno me perguntou qual era a melhor abordagem psicológica frente ao sofrimento dos nossos pacientes. Imagino que ele estava pensando nas tradicionais abordagens (ex. TCC, Psicanálise e etc)... Com toda a certeza é a Ética Profissional!!! Sem ética qualquer abordagem está fadada ao fracasso... Sem ética o ganho se transformará em perda...

Equipe de Psicologia Hospitalar

Sabe qual é a mais avançada tecnologia que um hospital pode adquirir? Equipe de Psicologia Hospitalar da Beneficência Portuguesa de São Paulo. Cuidando do corpo e das emoções!!!

Bastidores do programa Saúde Emocional da FOXLIFE


Bastidores das gravações do programa Saúde Emocional dos canais Bem Simples e FoxLife. Alegria que contagia!!! As gravações foram realizadas na hermosa cidade de Buenos Aires.

Todas as emoções se refletem no nosso corpo. Uma equipe de médicos ensina ferramentas para tirarmos o melhor delas e da influência que têm sobre nosso organismo.

Conheça mais sobre o programa Saúde Emocional no link da FoxLife.

Caso de menina morta em sala de aula expõe falta de apoio psicológico em escolas

Marta Avelhaneda Gonçalves faria 15 anos em junho, e a família já começava a planejar a festa. Mas o aniversário, o sonho de cursar medicina, a vida inteira de Marta ficou pelo caminho: ela morreu na última quarta-feira após uma briga com colegas da Escola Estadual Luiz de Camões, em Cachoeirinha, na Grande Porto Alegre.

Segundo a Polícia Civil, o laudo do Instituto Médico Legal indica que a jovem sofreu estrangulamento por asfixia mecânica. Mesmo assim, ainda não estão completamente esclarecidas as circunstâncias do caso e a forma como uma briga na escola, na primeira semana de aula, se transformou em morte.

Violência, preconceito, agressão e exclusão fazem parte da rotina de escolas públicas brasileiras, mostram relatos, pesquisas e análises sobre o assunto. A necessidade de ajuda para lidar com o tema é um dos argumentos em defesa do projeto de lei 3.688, em tramitação no Congresso há 17 anos, que propõe a contratação de psicólogos e assistentes sociais para assegurar a atendimento a alunos da rede pública e apoio aos professores no ambiente escolar.

Ouvidos pela BBC Brasil, psicólogos, professores e especialistas defendem o mérito e a necessidade do projeto, mas organismos como a Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação) levantam dúvidas sobre sua viabilidade financeira e operacional. A proposta foi aprovada na Câmara, passou pelo Senado e voltou à Câmara.

Clima de violência

"Não conheço esse projeto, mas vejo, infelizmente, um aumento do clima de violência nas escolas. Nossos alunos estão vindo com uma agressividade profunda, que se vira contra os colegas e os professores", relatou à BBC Brasil a professora Mary Jane Corrêa, que conhecia Marta desde menina e foi vizinha da família em Porto Alegre.

Por seis meses, Mary Jane foi professora de Marta no colégio municipal onde a jovem estudou até se mudar para Cachoeirinha.

O delegado Leonel Baldasso disse que a polícia investiga a hipótese de a adolescente ter sofrido bullying na escola, mas ainda é cedo para afirmar com certeza. Colegas dela estavam sendo ouvidos na tarde desta sexta-feira na delegacia de Cachoeirinha.

De acordo com a professora Mary Jane, Marta era quieta e tranquila. Segundo ela, a família desconhece episódios repetidos de bullying sofridos pela garota. "Ela tinha acabado de entrar na escola! Queremos que tudo seja esclarecido", afirmou.

A Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul mantém desde 2012 um programa de prevenção à violência nas escolas e, segundo a coordenadora Luciane Manfro, o projeto inclui desde apoio aos alunos até terapia para professores.

"Tínhamos docentes que pediam ajuda para lidar com tanto sofrimento ou lecionar em áreas violentas", relembra a coordenadora.

O Luiz de Camões, onde Marta morreu, optou por não participar do projeto. "Com a tragédia, só temos a lamentar essa decisão, e vamos incluir a escola no programa", ressalva Manfro.

Escola não pode se omitir

Doutora em Psicologia e professora da Faculdade de Educação da Unicamp, Ângela Soligo avalia que a necessidade de psicólogos nas escolas públicas vai além da tentativa de solucionar problemas pontuais e fazer atendimento individual a alunos.

Soligo foi a coordenadora científica da pesquisa "Violência e preconceitos na escola", realizada em 2014 e 2015 por equipes de dez universidades brasileiras com alunos, pais e professores de escolas de 26 das 27 unidades da federação.

Segundo ela, os resultados, ainda não divulgados, mostram que a violência mais comum é a verbal, com xingamentos e apelidos. São também recorrentes os casos de violência física, isolamento e exclusão.

"Um componente muito importante dessa violência é o preconceito, e aí vemos o racismo, a violência contra alunos identificados como homossexuais, contra indígenas e contra alunos mais pobres", relata.

Se os alunos sofrem, os professores pedem apoio para lidar com o sofrimento, analisa a especialista: "Hoje se exige demais do professor, que já trabalha em condições precárias, tem salário baixo e enfrenta cobranças. É preciso também oferecer apoio a esse professor".

"Ter psicólogo e assistente social na escola vai resolver tudo?", questiona Soligo, e ela mesma diz que não. Entende, porém, que seria uma forma de trabalhar de modo integrado em todo o ambiente escolar, como já acontece em muitas escolas particulares.

"A escola sonha com um aluno ideal, mas tem que lidar com o aluno real e precisa acolhê-lo", afirma ela, ex-presidente da ABEP (Associação Brasileira de Ensino de Psicologia).

Qual a orientação para um professor diante de situações potenciais ou reais de violência verbal ou física? Na avaliação da especialista, professor e escola não podem jamais se omitir.

"É preciso falar com a direção, o Conselho Tutelar, buscar aliviar o sofrimento daquele aluno e encaminhar o caso para providências cabíveis", afirma.

Em sua análise, tudo o que acontece no ambiente escolar é responsabilidade da escola. No caso específico da morte de Marta, acrescenta, "é muito difícil que ninguém tenha visto nada".

Por fim, Soligo destaca a necessidade de a escola discutir o assunto com seus estudantes, pois a pior atitude é fazer de conta que nada aconteceu. "Isso agora é mais importante que qualquer conteúdo", afirma.

Com a morte de Marta, as aulas no Luiz de Camões foram suspensas e serão retomadas segunda-feira.

Mudar o foco punitivo

A Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação) vê com cautela o projeto que prevê a contratação de psicólogos e assistentes sociais na rede pública.

O presidente da entidade, Alessio Costa Lima, disse que a versão inicial, que previa a contratação em cada estabelecimento, era inviável financeira e operacionalmente.

Além disso, segundo ele, parte dos municípios brasileiros ainda não consegue pagar aos docentes o piso nacional do magistério (R$ 2.298,80), e a contratação de psicólogos e assistentes sociais por valor possivelmente superior criaria conflito com os professores, figuras centrais na escola.

A Undime não calculou o impacto financeiro da iniciativa, mas defende que a contratação aconteça por intermédio das Secretarias de Saúde e Assistência Social e que o atendimento seja realizado em parceria com as escolas.

Segundo o relator do projeto na CCJ da Câmara, deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), esses dois pontos já constam da proposta modificada, que aguarda agora a votação em plenário.

"O projeto é fundamental, pois tira o foco punitivo e traz a psicologia para dentro da escola. A contratação pode ocorrer por outros órgãos públicos, mas o profissional fica à disposição da rede de ensino", afirma.

Fonte: BBC Brasil

sexta-feira, março 10, 2017

Mulheres sofrem mais com estresse do que os homens, mostra estudo

Principal reclamação das mulheres é conciliar vida profissional, domiciliar e familiar

As mulheres são mais estressadas que os homens de acordo com dados Programa de Avaliação do Estresse as Beneficência Portuguesa de São Paulo. São várias questões que provocam o problema: trabalho, as responsabilidades do lar e a família.

Segundo dados do hospital, com o pico dessas atividades, há um aumento da produção de hormônios como o cortisol e a adrenalina que atingem duas mulheres para cada homem.

De acordo com o especialista em Gestão do Estresse, Armando Ribeiro, dados do programa apontam que 90% das mulheres que procuram terapia têm queixas sobre o relacionamento, carreira ou família.

— Pouco tempo com os filhos, demandas do casamento ou mesmo o excesso de dedicação ao trabalho, aumentando as chances do aparecimento de quadros de ansiedade, pânico e depressão

Preocupação excessiva, tensão crônica, tremores, sensação de respiração curta ou sufocada, medo de perder o controle, medo de morrer ou ondas de calor são alguns dos sintomas da ansiedade relacionados ao estresse.

Ainda de acordo com o especialista, o estresse pode deixar o paciente com vulnerabilidades a doenças crônicas, como a hipertensão e a obesidade.

Segundo o psicólogo, o ideal é que a mulher saiba seu nível de estresse através de exames para que assim o tratamento adequado seja realizado. Ribeiro ainda salienta que realizar atividades que proporcionam prazer, como ler um livro, praticar atividades físicas ou ouvir música.

Cuide do coração

Segundo um artigo publicado no Therapeutic Advances in Cardiovascular in Disease (Avanços Terapêuticos em Doenças Cardiovasculares), as mulheres apresentam de 30 a 40% mais chances que os homens de desenvolverem doenças cardiovasculares com o mesmo nível de pressão arterial.

O cardiologista, Otavio Bebara afirma que as doenças cardiovasculares têm aumentado devido ao atual estio de vida das mulheres.

— Nos últimos tempos, elas passaram a se expor a fatores de risco, como estresse e tabagismo. Além disso, o tamanho de suas artérias é menor que o dos homens, o que pode favorecer o estreitamento e a obstrução dos vasos

Segundo Bebara, a prática regular de exercícios físicos aliada a uma alimentação balanceada e os exames preventivos regulares são as melhores maneiras de sempre estar a um passo a frente desses problemas.

Fonte: R7

Estresse é um problema. Para a mulher, duas vezes pior!

Estresse é um problema. Para a mulher, duas vezes pior! Situação surge na infância, diz especialista. http://goo.gl/ApHohI

quinta-feira, março 09, 2017

Cozinhaterapia...

Muitos adoram comer, mas tem gente que vem redescobrindo o prazer de cozinhar...

Resgatar o hábito de cozinhar com prazer pode ajudar na redução do estresse diário e aumentar o bem-estar. "Cozinhaterapia" é uma das formas simples de se cultivar o poder do momento presente, através da atenção plena (mindfulness). "É preciso descobrir ou redescobrir o prazer de cozinhar, tem que saborear não só o prato pronto, mas todo o processo que vem antes, a preparação". Participação do Prof Armando Ribeiro no Jornal da TV Cultura.

terça-feira, março 07, 2017

Pacientes são mais propensos a recusar tratamento medicamentoso do que psicoterapia para a saúde mental

Indivíduos que já estão em terapia medicamentosa também têm maior probabilidade de interromper o tratamento cedo, diz estudo

ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSICOLOGIA

As pessoas que buscam ajuda para transtornos mentais são mais propensos a recusar ou não completar o tratamento recomendado se envolve apenas psicotrópicos, de acordo com uma revisão da pesquisa publicada pela American Psychological Association.

Os pesquisadores realizaram uma meta-análise de 186 estudos de pacientes que procuram ajuda para problemas de saúde mental que examinaram se eles aceitaram o tratamento que foi recomendado e se eles fizeram, se eles concluíram. Cinqüenta e sete dos estudos, incluindo 6.693 pacientes, apresentaram um componente que relatou recusa de recomendações de tratamento, e 182 dos estudos, compreendendo 17.891 pacientes, apresentaram um componente relatando a interrupção prematura do tratamento.

Após o diagnóstico, os pacientes nos estudos foram recomendados para a terapia de drogas (farmacoterapia), terapia de conversa (psicoterapia) ou uma combinação dos dois.

"Descobrimos que as taxas de recusa de tratamento foram cerca de duas vezes maiores para a farmacoterapia sozinho, em comparação com a psicoterapia sozinho, particularmente para o tratamento do transtorno de ansiedade social, transtornos depressivos e transtorno do pânico", disse o pesquisador Joshua Swift, PhD, da Idaho State University. "Taxas de término prematuro da terapia também foram mais elevados para farmacoterapia sozinho, em comparação com psicoterapia sozinho, particularmente para anorexia / bulimia e transtornos depressivos."

A pesquisa foi publicada na revista APA Psychotherapy .

Em todos os estudos, a taxa média de recusa de tratamento foi de 8,2 por cento. Pacientes que receberam apenas farmacoterapia foram 1,76 vezes mais propensos a recusar tratamento do que pacientes que receberam apenas psicoterapia. Uma vez no tratamento, a taxa média de terminação prematura foi de 21,9 por cento, com os doentes em regime de droga apenas 1,2 vezes mais probabilidades de abandonar cedo. Não houve diferença significativa para as taxas de recusa ou abandono entre a farmacoterapia isolada e os tratamentos combinados, ou entre a psicoterapia sozinha e os tratamentos combinados.

Enquanto Swift disse que as conclusões em geral foram esperadas, os pesquisadores ficaram mais surpresos com o quão grande as diferenças foram para alguns distúrbios. Por exemplo, pacientes com diagnóstico de transtorno depressivo foram 2,16 vezes mais propensos a recusar farmacoterapia sozinhos e pacientes com transtornos de pânico foram quase três vezes mais propensos a recusar farmacoterapia sozinho.

Os achados são especialmente interessantes porque, como resultado de um acesso mais fácil, tendências recentes mostram que uma maior porcentagem de pacientes de saúde mental nos EUA estão envolvidos em farmacoterapia do que psicoterapia, de acordo com o co-autor Roger Greenberg, PhD, SUNY Upstate Medical University.

Alguns especialistas argumentaram que a psicoterapia deve ser a primeira opção de tratamento para muitos transtornos de saúde mental. Esses argumentos têm sido largamente baseados em bons resultados de tratamento para terapia de conversa com menos efeitos colaterais e menores taxas de recaída, disse Greenberg. "Nossas descobertas apoiar esse argumento, mostrando que os clientes são mais propensos a estar dispostos a iniciar e continuar psicoterapia do que farmacoterapia."

Swift e Greenberg teorizaram que os pacientes podem estar mais dispostos a se envolver em psicoterapia porque muitos indivíduos que experimentam problemas de saúde mental reconhecem que a fonte de seus problemas pode não ser inteiramente biológica.

"Os pacientes muitas vezes desejam uma oportunidade de conversar e trabalhar com seus problemas com um indivíduo cuidadoso que pode ser capaz de ajudá-los a enfrentar melhor suas experiências emocionais", disse Greenberg. "As medicações psicotrópicas podem ajudar muitas pessoas e acho que algumas vêem-nas como uma solução relativamente fácil e potencialmente rápida, mas penso que os outros consideram os seus problemas mais complexos e preocupam-se com o facto de os medicamentos fornecerem apenas uma solução temporária ou de superfície para As dificuldades que enfrentam em suas vidas. "

Embora a meta-análise forneça informações sobre as taxas de recusa e abandono, os estudos não relatam as razões dos pacientes para suas ações, Swift observou. Indo para a frente, a pesquisa projetada identificar estas razões pôde conduzir às estratégias adicionais para melhorar a taxa do início e da conclusão para ambas as terapias, ele disse. Também é importante notar que os participantes nos estudos de pesquisa inicialmente indicaram que estavam dispostos a ser atribuídos a qualquer terapia e, portanto, podem não ser representativos de todos os consumidores de tratamento.

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Artigo : "Recusa de tratamento e terminação prematura em psicoterapia , farmacoterapia e sua combinação: uma meta-análise de comparações cabeça a cabeça", por Joshua Swift, PhD, Idaho State University; Roger Greenberg, PhD, SUNY Upstate Medical University; Kelley Tompkins, MSc, Universidade de Alaska Anchorage; E Susannah Parkin, BA, Idaho State University. Psicoterapia , publicado on-line em 6 de março de 2017..

A American Psychological Association, em Washington, DC, é a maior organização científica e profissional que representa a psicologia nos Estados Unidos. A associação da APA inclui quase 115.700 pesquisadores, educadores, clínicos, consultores e estudantes. Através de suas divisões em 54 subcampos de psicologia e afiliações com 60 associações provinciais estaduais, territoriais e canadenses, a APA trabalha para promover a criação, comunicação e aplicação do conhecimento psicológico para beneficiar a sociedade e melhorar a vida das pessoas.

Fonte: EurekeAlert

Psicoterapia é preferível do que apenas medicação


Uma nova revisão conclui que as pessoas que procuram ajuda para transtornos mentais são mais propensos a recusar ou não completar o tratamento recomendado se envolve apenas psicotrópicos.

Os pesquisadores realizaram uma meta-análise de 186 estudos de pacientes que procuram ajuda para problemas de saúde mental. Os pesquisadores examinaram se os indivíduos aceitavam o tratamento recomendado e se eles o faziam, se eles o completaram.

Cinqüenta e sete dos estudos, incluindo 6.693 pacientes, apresentaram um componente que relatou recusa de recomendações de tratamento, e 182 dos estudos, compreendendo 17.891 pacientes, apresentaram um componente relatando a interrupção prematura do tratamento.

Nos estudos revisados, os pacientes foram recomendados para a terapia apenas de drogas (farmacoterapia), terapia de conversa (psicoterapia) ou uma combinação dos dois.

"Descobrimos que as taxas de recusa de tratamento foram cerca de duas vezes maiores para a farmacoterapia sozinho em comparação com a psicoterapia sozinho, particularmente para o tratamento do transtorno de ansiedade social, transtornos depressivos e transtorno do pânico ", disse o pesquisador Joshua Swift, Ph.D., Universidade Estadual de Idaho.

"Taxas de término prematuro da terapia também foram mais elevados para farmacoterapia sozinho, em comparação com psicoterapia sozinho, particularmente para anorexia / bulimia e transtornos depressivos."

A pesquisa aparece na revista Psychotherapy.

Para todos os estudos, a taxa média de recusa de tratamento foi de 8,2 por cento. Pacientes que receberam apenas farmacoterapia foram 1,76 vezes mais propensos a recusar tratamento do que pacientes que receberam apenas psicoterapia.

Uma vez no tratamento, a taxa média de terminação prematura foi de 21,9 por cento, com os doentes em regime de droga apenas 1,2 vezes mais probabilidades de abandonar cedo.

Não houve diferença significativa para as taxas de recusa ou abandono entre a farmacoterapia isolada e os tratamentos combinados, ou entre a psicoterapia sozinha e os tratamentos combinados.

Enquanto Swift disse que as conclusões em geral foram esperadas, os pesquisadores ficaram mais surpresos com o quão grande as diferenças foram para alguns distúrbios.

Por exemplo, pacientes com diagnóstico de transtorno depressivo foram 2,16 vezes mais propensos a recusar farmacoterapia sozinhos e pacientes com transtornos de pânico foram quase três vezes mais propensos a recusar farmacoterapia sozinho.

Os achados parecem estar em desacordo com a prática atual. De fato, as tendências recentes mostram que uma maior porcentagem de pacientes de saúde mental nos EUA estão envolvidos em farmacoterapia ao invés de psicoterapia, afirma o co-autor Roger Greenberg, Ph.D., SUNY Upstate Medical University.

Alguns especialistas argumentaram que a psicoterapia deve ser a primeira opção de tratamento para muitos transtornos de saúde mental. Esses argumentos têm sido largamente baseados em bons resultados de tratamento para terapia de conversa com menos efeitos colaterais e menores taxas de recaída, disse Greenberg.

"Nossas descobertas apoiam esse argumento, mostrando que os clientes são mais propensos a estar dispostos a iniciar e continuar psicoterapia do que farmacoterapia."

Swift e Greenberg teorizaram que os pacientes podem estar mais dispostos a se envolver em psicoterapia porque muitos indivíduos que experimentam problemas de saúde mental reconhecem que a fonte de seus problemas pode não ser inteiramente biológica.

"Os pacientes muitas vezes desejam uma oportunidade de conversar e trabalhar com seus problemas com um indivíduo cuidadoso que pode ser capaz de ajudá-los a enfrentar melhor suas experiências emocionais", disse Greenberg.

"As medicações psicotrópicas podem ajudar muitas pessoas e acho que algumas vêem-nas como uma solução relativamente fácil e potencialmente rápida, mas penso que os outros consideram os seus problemas mais complexos e preocupam-se com o fato de os medicamentos fornecerem apenas uma solução temporária ou superficial para as dificuldades que enfrentam em suas vidas."

Embora a meta-análise forneça informações sobre as taxas de recusa e abandono, os estudos não relatam as razões dos pacientes para suas ações, observou Swift.

No futuro, a pesquisa identificará as razões para se conduzir estratégias adicionais para melhorar a taxa do início e da conclusão para ambas as terapias, ele disse.

Também é importante notar que os participantes nos estudos de pesquisa inicialmente indicaram que estavam dispostos a ser atribuídos a qualquer terapia e, portanto, podem não ser representativos de todos os consumidores de tratamento.

Título original: "Psychotherapy-Only Treatment Seen As Preferred to Drugs-Only"

segunda-feira, março 06, 2017

Cuidado com o stress

Cuidado com o stress; mais vale chegar atrasado neste mundo do que adiantado no outro...

A epidemia de doença mental

A epidemia de doença mental. Por que cresce assombrosamente o número de pessoas com transtornos mentais e de pacientes tratados com antidepressivos e outros medicamentos psicoativos?

Parece que os americanos estão em meio a uma violenta epidemia de doenças mentais. A quantidade de pessoas incapacitadas por transtornos mentais, e com direito a receber a renda de seguridade suplementar ou o seguro por incapacidade, aumentou quase duas vezes e meia entre 1987 e 2007 – de 1 em cada 184 americanos passou para 1 em 76.

No que se refere às crianças, o número é ainda mais espantoso: um aumento de 35 vezes nas mesmas duas décadas. A doença mental é hoje a principal causa de incapacitação de crianças, bem à frente de deficiências físicas como a paralisia cerebral ou a síndrome de Down.

Um grande estudo de adultos (selecionados aleatoriamente), patrocinado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental, realizado entre 2001 e 2003, descobriu que um percentual assombroso de 46% se encaixava nos critérios estabelecidos pela Associação Americana de Psiquiatria, por ter tido em algum momento de suas vidas pelo menos uma doença mental, entre quatro categorias.

As categorias seriam “transtornos de ansiedade”, que incluem fobias e estresse pós-traumático; “transtornos de humor”, como depressão e transtorno bipolar; “transtornos de controle dos impulsos”, que abrangem problemas de comportamento e de déficit de atenção/hiperatividade; e “transtornos causados pelo uso de substâncias”, como o abuso de álcool e drogas. A maioria dos pesquisados se encaixava em mais de um diagnóstico.

O tratamento médico desses transtornos quase sempre implica o uso de drogas psicoativas, os medicamentos que afetam o estado mental.Na verdade, a maioria dos psiquiatras usa apenas remédios no tratamento e encaminha os pacientes para psicólogos ou terapeutas se acha que uma psicoterapia é igualmente necessária.

A substituição da “terapia de conversa” pela das drogas como tratamento majoritário coincide com o surgimento, nas últimas quatro décadas, da teoria de que as doenças mentais são causadas por desequilíbrios químicos no cérebro, que podem ser corrigidos pelo uso de medicamentos. Essa teoria passou a ser amplamente aceita pela mídia e pelo público, bem como pelos médicos, depois que o Prozac chegou ao mercado, em 1987, e foi intensamente divulgado como um corretivo para a deficiência de serotonina no cérebro.

O número de pessoas depressivas tratadas triplicou nos dez anos seguintes e, hoje, cerca de 10% dos americanos com mais de 6 anos de idade tomam antidepressivos. O aumento do uso de drogas para tratar a psicose é ainda mais impressionante. A nova geração de antipsicóticos, como o Risperdal, o Zyprexa e o Seroquel, ultrapassou os redutores do colesterol no topo da lista de remédios mais vendidos nos Estados Unidos.

O que está acontecendo? A preponderância das doenças mentais sobre as físicas é de fato tão alta, e continua a crescer? Se os transtornos mentais são biologicamente determinados e não um produto de influências ambientais, é plausível supor que o seu crescimento seja real? Ou será que estamos aprendendo a diagnosticar transtornos mentais que sempre existiram? Ou, por outro lado, será que simplesmente ampliamos os critérios para definir as doenças mentais, de modo que quase todo mundo agora sofre de uma delas? E o que dizer dos medicamentos que viraram a base dos tratamentos? Eles funcionam? E, se funcionam, não deveríamos esperar que o número de doentes mentais estivesse em declínio e não em ascensão?

Essas são as questões que preocupam os autores de três livros provocativos, aqui analisados. Eles vêm de diferentes formações: Irving Kirsch é psicólogo da Universidade de Hull, no Reino Unido; Robert Whitaker é jornalista; e Daniel Carlat é um psiquiatra que clinica num subúrbio de Boston.

Os autores enfatizam diferentes aspectos da epidemia de doença mental. Kirsch está preocupado em saber se os antidepressivos funcionam. Whitaker pergunta se as drogas psicoativas não criam problemas piores do que aqueles que resolvem. Carlat examina como a sua profissão se aliou à indústria farmacêutica e é manipulada por ela. Mas, apesar de suas diferenças, os três estão de acordo sobre algumas questões importantes.

Em primeiro lugar, concordam que é preocupante a extensão com a qual as empresas que vendem drogas psicoativas – por meio de várias formas de marketing, tanto legal como ilegal, e usando o que muita gente chamaria de suborno – passaram a determinar o que constitui uma doença mental e como os distúrbios devem ser diagnosticados e tratados.

Em segundo lugar, nenhum dos três aceita a teoria de que a doença mental é provocada por um desequilíbrio químico no cérebro. Whitaker conta que essa teoria surgiu pouco depois que os remédios psicotrópicos foram introduzidos no mercado, na década de 50. O primeiro foi o Amplictil (clorpromazina), lançado em 1954, que rapidamente passou a ser muito usado em hospitais psiquiátricos, para acalmar pacientes psicóticos, sobretudo os com esquizofrenia. No ano seguinte, chegou o Miltown (meprobamato), vendido para tratar a ansiedade em pacientes ambulatoriais. Em 1957, o Marsilid (iproniazid) entrou no mercado como um “energizador psíquico” para tratar a depressão.

Desse modo, no curto espaço de três anos, tornaram-se disponíveis medicamentos para tratar aquelas que, na época, eram consideradas as três principais categorias de doença mental – ansiedade, psicose e depressão – e a psiquiatria transformou-se totalmente. Essas drogas, no entanto, não haviam sido desenvolvidas para tratar doenças mentais. Elas foram derivadas de remédios destinados ao combate de infecções, e se descobriu por acaso que alteravam o estado mental.

No início, ninguém tinha ideia de como funcionavam. Elas simplesmente embotavam sintomas mentais perturbadores. Durante a década seguinte, pesquisadores descobriram que essas drogas afetavam os níveis de certas substâncias químicas no cérebro.

Quando se descobriu que as drogas psicoativas afetam os níveis de neurotransmissores, surgiu a teoria de que a causa da doença mental é uma anormalidade na concentração cerebral desses elementos químicos, a qual é combatida pelo medicamento apropriado.

Por exemplo: como o Thorazine diminui os níveis de dopamina no cérebro, postulou-se que psicoses como a esquizofrenia são causadas ​​por excesso de dopamina. Ou então: tendo em vista que alguns antidepressivos aumentam os níveis do neurotransmissor chamado serotonina, defendeu-se que a depressão é causada pela escassez de serotonina. Antidepressivos como o Prozac ou o Celexa impedem a reabsorção de serotonina pelos neurônios que a liberam, e assim ela permanece mais nas sinapses e ativa outros neurônios. Desse modo, em vez de desenvolver um medicamento para tratar uma anormalidade, uma anormalidade foi postulada para se adequar a um medicamento.

Trata-se de uma grande pirueta lógica, como apontam os três autores. Era perfeitamente possível que as drogas que afetam os níveis dos neurotransmissores pudessem aliviar os sintomas, mesmo que os neurotransmissores não tivessem nada a ver com a doença. Como escreve Carlat: “Por essa mesma lógica, se poderia argumentar que a causa de todos os estados de dor é uma deficiência de opiáceos, uma vez que analgésicos narcóticos ativam os receptores de opiáceos do cérebro.” Ou, do mesmo modo, se poderia dizer que as febres são causadas pela escassez de aspirina.

Mas o principal problema com essa teoria é que, após décadas tentando prová-la, os pesquisadores ainda estão de mãos vazias. Os três autores documentam o fracasso dos cientistas para encontrar boas provas a seu favor. Antes do tratamento, a função dos neurotransmissores parece ser normal nas pessoas com doença mental. Nas palavras de Whitaker:

Antes do tratamento, os pacientes diagnosticados com depressão, esquizofrenia e outros transtornos psiquiátricos não sofrem nenhum “desequilíbrio químico”. No entanto, depois que uma pessoa passa a tomar medicação psiquiátrica, que perturba a mecânica normal de uma via neuronal, seu cérebro começa a funcionar… anormalmente.

Carlat refere-se à teoria do desequilíbrio químico como um “mito” (que ele chama de “conveniente” porque reduziria o estigma da doença mental). E Kirsch,cujo livro centra-se na depressão, resume a questão assim: “Parece fora de dúvida que o conceito tradicional de considerar a depressão como um desequilíbrio químico no cérebro está simplesmente errado.” (O motivo da persistência dessa teoria, apesar da falta de provas, é um tema que tratarei adiante.)

Os remédios funcionam? Afinal de contas, independentemente da teoria, essa é a questão prática. Em seu livro seco e extremamente cativante, The Emperor’s New Drugs [As Novas Drogas do Imperador], Kirsch descreve os seus quinze anos de pesquisa científica para responder a essa pergunta, no que diz respeito aos antidepressivos.

Quando começou o trabalho em 1995, seu principal interesse eram os efeitos de placebos. Para estudá-los, ele e um colega revisaram 38 ensaios clínicos que comparavam vários tratamentos da depressão com placebos, ou comparavam a psicoterapia com nenhum tratamento. A maioria dessas experiências durava de seis a oito semanas, e durante esse período os pacientes tendiam a melhorar um pouco, mesmo se não tivessem nenhum tratamento.

Mas Kirsch descobriu que os placebos eram três vezes mais eficazes do que a ausência de tratamento. Isso não o surpreendeu. O que o surpreendeu mesmo foi que os antidepressivos foram apenas marginalmente mais úteis do que os placebos: 75% dos placebos foram tão eficazes quanto os antidepressivos. Kirsch resolveu então repetir o estudo, dessa vez com a análise de um conjunto de dados mais completo e padronizado.

Os dados que ele usou foram obtidos da Food and Drug Administration, a FDA [o órgão público americano encarregado do licenciamento e controle de medicamentos]. Quando buscam a aprovação da FDA para comercializar um novo remédio, os laboratórios farmacêuticos devem apresentar à agência todos os testes clínicos que patrocinaram. Os testes são geralmente duplo-cego e controlados com placebo. Ou seja: os pacientes participantes recebem aleatoriamente a droga ou o placebo, e nem eles nem os seus médicos sabem o que receberam.

Os pacientes são informados de que receberão ou um medicamento ativo ou um placebo. E também são avisados dos efeitos colaterais que podem ocorrer. Se dois testes comprovam que o medicamento é mais eficaz do que o placebo, ele é geralmente aprovado. Mas os laboratórios podem patrocinar quantos testes quiserem, e a maioria deles pode dar negativo – isto é, não mostrar a eficácia do remédio. Tudo o que eles precisam é de dois testes com resultados positivos. (Os resultados dos testes de um mesmo medicamento podem variar por muitas razões, entre elas a forma como o ensaio foi concebido e realizado, seu tamanho e os tipos de pacientes pesquisados.)

Por razões óbvias, as indústrias farmacêuticas fazem questão de que seus testes positivos sejam publicados em revistas médicas, e os médicos fiquem sabendo deles. Já os testes negativos ficam nas gavetas da FDA, que os considera propriedade privada e, portanto, confidenciais. Essa prática distorce a literatura médica, o ensino da medicina e as decisões de tratamento.

Kirsch e seus colegas usaram a Lei de Liberdade de Informação para obter as revisões da FDA de todos os testes clínicos controlados por placebo, positivos ou negativos, submetidos para a aprovação dos seis antidepressivos mais utilizados, aprovados entre 1987 e 1999: Prozac, Paxil, Zoloft, Celexa, Serzone e Effexor.

Ao todo, havia 42 testes das seis drogas. A maioria deles era negativo. No total, os placebos eram 82% tão eficazes quanto os medicamentos, tal como medido pela Escala de Depressão de Hamilton, uma classificação dos sintomas de depressão amplamente utilizada. A diferença média entre remédio e placebo era de apenas 1,8 ponto na Escala, uma diferença que, embora estatisticamente significativa, era insignificante do ponto de vista clínico. Os resultados foram quase os mesmos para as seis drogas: todos igualmente inexpressivos. No entanto, como os estudos positivos foram amplamente divulgados, enquanto os negativos eram escondidos, o público e os médicos passaram a acreditar que esses medicamentos antidepressivos eram altamente eficazes.

Kirsch ficou impressionado com outro achado inesperado. Em seu estudo anterior, e em trabalhos de outros, observara que até mesmo tratamentos com substâncias que não eram consideradas antidepressivas – como hormônio sintético da tireoide, opiáceos, sedativos, estimulantes e algumas ervas medicinais – eram tão eficazes quanto os antidepressivos para aliviar os sintomas da depressão. Kirsch escreve: “Quando administrados como antidepressivos, remédios que aumentam, diminuem ou não têm nenhuma influência sobre a serotonina aliviam a depressão mais ou menos no mesmo grau.”

O que todos esses medicamentos “eficazes” tinham em comum era que produziam efeitos colaterais, sobre os quais os pacientes participantes haviam sido informados de que poderiam ocorrer.

Diante da descoberta de que quase qualquer comprimido com efeitos colaterais era ligeiramente mais eficaz no tratamento da depressão do que um placebo, Kirsch especulou que a presença de efeitos colaterais em indivíduos que recebem medicamentos lhes permitia adivinhar que recebiam tratamento ativo – e isso foi corroborado por entrevistas com pacientes e médicos –, o que os tornava mais propensos a relatar uma melhora. Ele sugere que a razão pela qual os antidepressivos parecem funcionar melhor no alívio de depressão grave do que em casos menos graves é que os pacientes com sintomas graves provavelmente tomam doses mais elevadas e, portanto, sofrem mais efeitos colaterais.

Kirsch registrou outras descobertas estranhas em testes clínicos de antidepressivos, entre elas o fato de que não há nenhuma curva de dose-resposta, ou seja, altas doses não funcionavam melhor do que as baixas, o que é extremamente improvável para medicamentos eficazes.

“Ao se juntar tudo isso”, escreve Kirsch,“chega-se à conclusão de que a diferença relativamente pequena entre medicamentos e placebos pode não ser um efeito verdadeiro do remédio. Em vez disso, pode ser um efeito placebo acentuado, produzido pelo fato de que alguns pacientes passaram a perceber que recebiam medicamentos ou placebos. Se este for o caso, então não há nenhum efeito antidepressivo dos medicamentos. Em vez de compararmos placebo com remédio, estávamos comparando placebos ‘normais’ com placebos ‘extrafortes’.”

Trata-se de uma conclusão surpreendente, que desafia a opinião médica, mas Kirsch chega a ela de uma forma cuidadosa e lógica. Psiquiatras que usam antidepressivos – e isso significa a maioria deles – e pacientes que os tomam talvez insistam que sabem por experiência clínica que os medicamentos funcionam.

Mas casos individuais são uma forma traiçoeira de avaliar tratamentos médicos, pois estão sujeitos a distorções. Eles podem sugerir hipóteses a serem estudadas, mas não podem prová-las. É por isso que o desenvolvimento do teste clínico duplo-cego, aleatório e controlado com placebo, foi um avanço tão importante na ciência médica, em meados do século passado. Histórias sobre sanguessugas, megadoses de vitamina cou vários outros tratamentos populares não suportariam o escrutínio de testes bem planejados. Kirsch é um defensor devotado do método científico e sua voz, portanto, traz objetividade a um tema muitas vezes influenciado por subjetividade, emoções ou, como veremos, interesse pessoal.

O livro de Whitaker, Anatomy of an Epidemic [Anatomia de uma Epidemia], é mais amplo e polêmico. Ele leva em conta todas as doenças mentais, não apenas a depressão. Enquanto Kirsch conclui que os antidepressivos não são provavelmente mais eficazes do que placebos, Whitaker conclui que eles e a maioria das drogas psicoativas não são apenas ineficazes, mas prejudiciais. Whitaker começa por observar que, se o tratamento de doenças mentais por meio de medicamentos disparou, o mesmo aconteceu com as patologias tratadas:

O número de doentes mentais incapacitados aumentou imensamente desde 1955 e durante as duas últimas décadas, período em que a prescrição de medicamentos psiquiátricos explodiu e o número de adultos e crianças incapacitados por doença mental aumentou numa taxa alucinante. Assim, chegamos a uma pergunta óbvia, embora herética: o paradigma de tratamento baseado em drogas poderia estar alimentando, de alguma maneira imprevista, essa praga dos tempos modernos?

Se as drogas psicoativas causam danos, como afirma Whitaker, qual é o seu mecanismo? A resposta, ele acredita, encontra-se em seus efeitos sobre os neurotransmissores. É bem sabido que as drogas psicoativas perturbam os neurotransmissores, mesmo que essa não seja a causa primeira da doença.

Whitaker descreve uma cadeia de efeitos. Quando, por exemplo, um antidepressivo como o Celexa aumenta os níveis de serotonina nas sinapses, ele estimula mudanças compensatórias por meio de um processo chamado feedback negativo. Em reação aos altos níveis de serotonina, os neurônios que a secretam liberam menos dela, e os neurônios pós-sinápticos tornam-se insensíveis a ela. Na verdade, o cérebro está tentando anular os efeitos da droga. O mesmo vale para os medicamentos que bloqueiam neurotransmissores, exceto no sentido inverso.

A maioria dos antipsicóticos, por exemplo, bloqueia a dopamina, mas os neurônios pré-sinápticos compensam isso liberando mais dopamina, e os neurônios pós-sinápticos a aceitam com mais avidez.

As consequências do uso prolongado de drogas psicoativas, nas palavras de Steve Hyman, até recentemente reitor da Universidade de Harvard, são “alterações substanciais e de longa duração na função neural”.

Depois de várias semanas de drogas psicoativas, os esforços de compensação do cérebro começam a falhar e surgem efeitos colaterais que refletem o mecanismo de ação dos medicamentos. Antipsicóticos causam efeitos secundários que se assemelham ao mal de Parkinson, por causa do esgotamento de dopamina (que também se esgota no Parkinson). À medida que surgem efeitos colaterais, eles são tratados por outros medicamentos, e muitos pacientes acabam tomando um coquetel de drogas psicoativas, prescrito para um coquetel de diagnósticos. Os episódios de mania causada por antidepressivos podem levar a um novo diagnóstico de “transtorno bipolar” e ao tratamento com um “estabilizador de humor”, como Depokote (anticonvulsivo), acompanhado de uma das novas drogas antipsicóticas. E assim por diante.

A respeitada pesquisadora Nancy Andreasen e seus colegas publicaram indícios de que o uso de antipsicóticos está associado ao encolhimento do cérebro, e que o efeito está diretamente relacionado à dose e à duração do tratamento. Como Andreasen explicou ao New York Times: “O córtex pré-frontal não obtém o que precisa e vai sendo fechado pelos medicamentos. Isso reduz os sintomas psicóticos. E faz também com que o córtex pré-frontal se atrofie lentamente.”

Largar os remédios é extremamente difícil, segundo Whitaker, porque quando eles são retirados, os mecanismos compensatórios ficam sem oposição. Quando se retira o Celexa, os níveis de serotonina caem bruscamente porque os neurônios pré-sinápticos não estão liberando quantidades normais. Da mesma forma, quando se suspende um antipsicótico, os níveis de dopamina podem disparar.Os sintomas produzidos pela retirada de drogas psicoativas são confundidos com recaídas da doença original, o que pode levar psiquiatras a retomar o tratamento com remédios, talvez em doses mais elevadas.

Whitaker está indignado com o que considera uma epidemia iatrogênica (isto é, introduzida inadvertidamente pelos médicos) de disfunção cerebral, especialmente a causada pelo uso generalizado dos novos antipsicóticos, como o Zyprexa, que provoca graves efeitos colaterais. Eis o que ele chama de “experimento de pensamento rápido”:

Imagine que aparece de repente um vírus que faz com que as pessoas durmam doze, catorze horas por dia. As pessoas infectadas se movimentam devagar e parecem emocionalmente desligadas. Muitas ganham quantidades imensas de peso – 10, 20 e até 50 quilos. Os seus níveis de açúcar no sangue disparam, assim como os de colesterol.

Vários dos atingidos pela doença misteriosa – entre eles, crianças e adolescentes – se tornam diabéticos. O governo federal dá centenas de milhões de dólares aos cientistas para decifrar o funcionamento do vírus, e eles relatam que ele bloqueia uma multidão de receptores no cérebro. Enquanto isso, exames de ressonância magnética descobrem que, ao longo de vários anos, o vírus encolhe o córtex cerebral, e esta diminuição está ligada ao declínio cognitivo. O público aterrorizado clama por uma cura.

Ora, essa doença está, de fato, atingindo milhões de crianças e adultos. Acabamos de descrever os efeitos do antipsicótico Zyprexa, um dos mais vendidos do laboratório Eli Lilly.

Leon Eisenberg, professor da Universidade Johns Hopkins e da Escola de Medicina de Harvard, escreveu que a psiquiatria americana passou,no final do século XX, de uma fase “descerebrada” para uma “desmentalizada”. Ele quis dizer que, antes das drogas psicoativas, os psiquiatras tinham pouco interesse por neurotransmissores ou outros aspectos físicos do cérebro. Em vez disso, aceitavam a visão freudiana de que a doença mental tinha suas raízes em conflitos inconscientes, geralmente com origem na infância, que afetavam a mente como se ela fosse separada do cérebro.

Com a entrada em cena dessas drogas, na década de 50 – processo que se acelerou na década de 80 –, o foco mudou para o cérebro. Os psiquiatras começaram a se referir a si mesmos como psicofarmacologistas, e se interessaram cada vez menos pelas histórias de vida dos pacientes.

A preocupação deles era eliminar ou reduzir os sintomas, tratando os pacientes com medicamentos que alterariam a função cerebral. Tendo sido um dos primeiros defensores do modelo biológico de doença mental, Eisenberg veio a se tornar um crítico do uso indiscriminado de drogas psicoativas, impulsionado pelas maquinações da indústria farmacêutica.

Quando as drogas psicoativas surgiram, houve um período de otimismo na profissão psiquiátrica, mas na década de 70 o otimismo deu lugar a uma sensação de ameaça. Ficaram claros os graves efeitos colaterais dos medicamentos e um movimento de antipsiquiatria lançou raízes, como exemplificam os escritos de Thomas Szasz e o filme Um Estranho no Ninho.

Havia também a concorrência crescente de psicólogos e terapeutas. Além disso, os psiquiatras sofreram divisões internas: alguns abraçaram o modelo biológico, outros se agarraram ao modelo freudiano, e uns poucos viam a doença mental como uma resposta sadia a um mundo insano. Ademais, dentro da medicina, os psiquiatras eram considerados uma espécie de parentes pobres: mesmo com suas novas drogas, eram vistos como menos científicos do que os outros especialistas, e sua renda era geralmente mais baixa.

No final da década de 70, os psiquiatras contra-atacaram, e com força. Como conta Robert Whitaker em Anatomy of an Epidemic, o diretor médico da Associação Americana de Psiquiatria, Melvin Sabshin, declarou, em 1977: “Devemos apoiar fortemente um esforço vigoroso para remedicalizar a psiquiatria.” E lançou uma campanha maciça de relações públicas para fazer exatamente isso.

A psiquiatria detinha uma arma poderosa, que seus concorrentes não podiam ter. Como cursaram medicina, os psiquiatras têm autoridade legal para escrever receitas. Ao abraçar o modelo biológico de doença mental, e o uso de drogas psicoativas para tratá-la, a psiquiatria conseguiu relegar os outros prestadores de serviços de saúde mental para cargos secundários. E se apresentou também como uma disciplina científica. E, o que é mais importante, ao enfatizar o tratamento medicamentoso, a psiquiatria tornou-se a queridinha da indústria farmacêutica, que logo tornou tangível sua gratidão.

Associação Americana de Psiquiatria, a APA, estava preparando então a terceira edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o DSM, que estabelece os critérios de diagnóstico para todos os transtornos mentais. O presidente da Associação havia indicado Robert Spitzer, eminente professor de psiquiatria da Universidade de Columbia, para chefiar a força-tarefa que supervisionaria o Manual.

As duas primeiras edições, publicadas em 1952 e 1968, refletiam a visão freudiana da doença mental, e eram pouco conhecidas fora da profissão. Spitzer decidiu fazer da terceira edição, o DSM-III, algo bem diferente. Ele prometeu que o Manual seria “uma defesa do modelo médico aplicado a problemas psiquiátricos”, e o presidente da Associação, Jack Weinberg, disse que ele “deixaria claro para quem tivesse dúvidas que consideramos a psiquiatria uma especialidade da medicina”.

Quando foi publicado, em 1980, o DSM-III continha 265 diagnósticos (acima dos 182 da edição anterior) e logo teve um uso quase universal: não apenas por parte de psiquiatras, mas também por companhias de seguros, hospitais, tribunais, prisões, escolas, pesquisadores, agências governamentais e médicos de todas as especialidades. Seu principal objetivo era trazer coerência (normalmente chamada de “confiabilidade”) ao diagnóstico psiquiátrico. Ou seja, garantir que os psiquiatras que viam o mesmo paciente concordassem com o diagnóstico. Para isso, cada diagnóstico era definido por uma lista de sintomas, com limites numéricos. Por exemplo, ter pelo menos cinco de nove sintomas determinados garantia ao paciente um diagnóstico definitivo de episódio depressivo dentro da ampla categoria de “transtornos do humor”.

Mas havia outro objetivo: justificar o uso de drogas psicoativas. Com efeito, Carol Bernstein, a presidente da apa, reconheceu isso ao escrever: “Na década de 70, foi preciso facilitar um acordo sobre diagnósticos entre clínicos, cientistas e autoridades reguladoras, dada a necessidade de ligar os pacientes aos novos tratamentos farmacológicos.”

A terceira edição do Manual era talvez mais “confiável” do que as versões anteriores, mas confiabilidade não é a mesma coisa que validade. O termo confiabilidade é usado como sinônimo de “coerência”; validade refere-se à correção ou solidez. Se todos os médicos concordassem que as sardas são um sinal de câncer, o diagnóstico seria “confiável”, mas não válido.

DSM se tornou a bíblia da psiquiatria e, tal como a Bíblia cristã, dependia muito de algo parecido com a fé: não há nele citações de estudos científicos para sustentar suas decisões. É uma omissão espantosa, porque em todas as publicações médicas, sejam revistas ou livros didáticos, as declarações de fatos devem estar apoiadas em referências comprováveis. (Há quatro “livros de consulta” separados para a edição atual do DSM, que apresentam a razão para algumas decisões, junto com referências, mas isso não é a mesma coisa que referências específicas.)

Pode ser de muito interesse para um grupo de especialistas se reunir e dar suas opiniões, mas a menos que essas opiniões possam ser sustentadas por provas, elas não autorizam a deferência extraordinária dedicada ao DSM. “A cada edição subsequente”, escreve Daniel Carlat, “o número de categorias de diagnósticos se multiplicava, e os livros se tornaram maiores e mais caros. Cada um deles se tornou um best-seller, e o DSM é hoje uma das principais fontes de renda da Associação Americana de Psiquiatria.” O Manual atual, o DSM-IV, vendeu mais de 1 milhão de exemplares.

Os laboratórios farmacêuticos passaram a dar toda a atenção e generosidade aos psiquiatras, tanto individual como coletivamente, direta e indiretamente. Choveram presentes e amostras grátis, contratos de consultores e palestrantes, refeições, ajuda para participar de conferências. Quando os estados de Minnesota e Vermont implantaram “leis de transparência”, que exigem que os laboratórios informem todos os pagamentos a médicos, descobriu-se que os psiquiatras recebiam mais dinheiro do que os médicos de qualquer outra especialidade. A indústria farmacêutica também subsidia as reuniões da APA e outras conferências psiquiátricas. Cerca de um quinto do financiamento da APA vem agora da indústria farmacêutica.

Os laboratórios buscam conquistar psiquiatras de centros médicos universitários de prestígio. Chamados pela indústria de “líderes-chave de opinião”, eles são os profissionais que, por meio do que escrevem e ensinam, influenciam o tratamento das doenças mentais. Eles também publicam grande parte da pesquisa clínica sobre medicamentos e, o que é fundamental, determinam o conteúdo do DSM. Em certo sentido, eles são a melhor equipe de vendas que a indústria poderia ter e valem cada centavo gasto com eles. Dos 170 colaboradores da versão atual do DSM, dos quais quase todos poderiam ser descritos como líderes-chave, 95 tinham vínculos financeiros com laboratórios farmacêuticos, inclusive todos os colaboradores das seções sobre transtornos de humor e esquizofrenia.

Carlat pergunta: “Por que os psiquiatras estão na frente de todos os outros especialistas quando se trata de tomar dinheiro de laboratórios?” Sua resposta: “Nossos diagnósticos são subjetivos e expansíveis, e temos poucas razões racionais para a escolha de um tratamento em relação a outro.” Ao contrário das enfermidades tratadas pela maioria dos outros ramos da medicina, não há sinais ou exames objetivos para as doenças mentais – nenhum dado de laboratório ou descoberta por ressonância magnética – e as fronteiras entre o normal e o anormal são muitas vezes pouco claras. Isso torna possível expandir as fronteiras do diagnóstico ou até mesmo criar novas diagnoses, de uma forma que seria impossível, por exemplo, em um campo como a cardiologia. E as empresas farmacêuticas têm todo o interesse em induzir os psiquiatras a fazer exatamente isso.

Além do dinheiro gasto com os psiquiatras, os laboratórios apoiam muitos grupos de defesa de pacientes e organizações educacionais. Whitaker informa que, somente no primeiro trimestre de 2009, o “Eli Lilly deu 551 mil dólares à Aliança Nacional para Doenças Mentais, 465 mil dólares para a Associação Nacional de Saúde Mental, 130 mil dólares para um grupo de defesa dos pacientes de déficit de atenção/hiperatividade, e 69 250 dólares para a Fundação Americana de Prevenção ao Suicídio”.

E isso foi o que apenas um laboratório gastou em três meses; pode-se imaginar qual deve ser o total anual de todas as empresas que produzem drogas psicoativas. Esses grupos aparentemente existem para conscientizar a opinião pública sobre transtornos psiquiátricos, mas também têm o efeito de promover o uso de drogas psicoativas e influenciar os planos de saúde para cobri-los.

Como a maioria dos psiquiatras, Carlat trata seus pacientes apenas com medicamentos, sem terapia de conversa, e é sincero a respeito das vantagens de fazer isso. Ele calcula que, se atender três pacientes por hora com psicofarmacologia, ganha cerca de 180 dólares por hora dos planos de saúde. Em contrapartida, poderia atender apenas um paciente por hora com terapia de conversa, pela qual os planos lhe pagariam menos de 100 dólares. Carlat não acredita que a psicofarmacologia seja particularmente complicada, muito menos precisa, embora o público seja levado a acreditar que é.

Seu trabalho consiste em fazer aos pacientes uma série de perguntas sobre seus sintomas, para ver se eles combinam com algum dos transtornos catalogados no DSM. Esse exercício de correspondência, diz ele, propicia “a ilusão de que compreendemos os nossos pacientes, quando tudo o que estamos fazendo é atribuir-lhes rótulos”. Muitas vezes os pacientes preenchem critérios para mais de um diagnóstico, porque há sobreposição de sintomas.

Um dos pacientes de Carlat acabou com sete diagnósticos distintos. “Nós miramos sintomas distintos com os tratamentos, e outros medicamentos são adicionados para tratar os efeitos colaterais.” Um paciente típico, diz ele, pode estar tomando Celexa para depressão, Ativan para ansiedade, Ambien para insônia, Provigil para fadiga (um efeito colateral do Celexa) e Viagra para impotência (outro efeito colateral do Celexa).

Quanto aos próprios medicamentos, Carlat escreve que “há apenas um punhado de categorias guarda-chuva de drogas psicotrópicas”, sob as quais os medicamentos não são muito diferentes uns dos outros. Ele não acredita que exista muita base para escolher entre eles. E resume:

Assim é a moderna psicofarmacologia. Guiados apenas por sintomas, tentamos diferentes medicamentos, sem nenhuma concepção verdadeira do que estamos tentando corrigir, ou de como as drogas estão funcionando. Espanto-me que sejamos tão eficazes para tantos pacientes.

Carlat passa então a especular, como Kirsch em The Emperor’s New Drugs, que os pacientes talvez estejam respondendo a um efeito placebo ativado. Se as drogas psicoativas não são tudo o que é alardeado – e os indícios indicam que não são –, o que acontece com os próprios diagnósticos? Como eles se multiplicam a cada edição do DSM?

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A indústria farmacêutica influencia psiquiatras a receitar drogas psicoativas até mesmo a pacientes para os quais os medicamentos não foram considerados seguros e eficazes. O que deveria preocupar enormemente é o aumento espantoso do diagnóstico e tratamento de doenças mentais em crianças, algumas com apenas 2 anos de idade. Essas crianças são tratadas muitas vezes com medicamentos que nunca foram aprovados pela FDA para uso nessa faixa etária, e têm efeitos colaterais graves. A prevalência de “transtorno bipolar juvenil” aumentou quarenta vezes entre 1993 e 2004, e a de “autismo” aumentou de 1 em 500 crianças para 1 em 90 ao longo da mesma década. Dez por cento dos meninos de 10 anos de idade tomam agora estimulantes diários para o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade.

Seria muito difícil achar uma criança de 2 anos que não seja às vezes irritante, um menino de 5ª série que não seja ocasionalmente desatento, ou uma menina no ensino médio que não seja ansiosa. Rotular essas crianças como tendo um transtorno mental e tratá-las com medicamentos depende muito de quem elas são e das pressões que seus pais enfrentam.

Como as famílias de baixa renda estão passando por dificuldades econômicas crescentes, muitas descobriram que o pedido de renda de seguridade suplementar com base na invalidez mental é a única maneira de sobreviver. Segundo um estudo da Universidade Rutgers, descobriu-se que crianças de famílias de baixa renda têm quatro vezes mais probabilidade de receber medicamentos antipsicóticos do que crianças com plano de saúde privado.

Os livros de Irving Kirsch, Robert Whitaker e Daniel Carlat são acusações enérgicas ao modo como a psiquiatria é praticada hoje em dia. Eles documentam o “frenesi” do diagnóstico, o uso excessivo de medicamentos com efeitos colaterais devastadores e os conflitos de interesse generalizados. Os críticos podem argumentar, como Nancy Andreasen o faz em seu artigo sobre a perda de tecido cerebral no tratamento antipsicótico de longo prazo, que os efeitos colaterais são o preço que se deve pagar para aliviar o sofrimento causado pela doença mental. Se soubéssemos que os benefícios das drogas psicoativas superam seus danos, isso seria um argumento forte, uma vez que não há dúvida de que muitas pessoas sofrem gravemente com doenças mentais. Mas como Kirsch, Whitaker e Carlat argumentam, essa expectativa pode estar errada.

No mínimo, precisamos parar de pensar que as drogas psicoativas são o melhor e, muitas vezes, o único tratamento para as doenças mentais. Tanto a psicoterapia como os exercícios físicos têm se mostrado tão eficazes quanto os medicamentos para a depressão, e seus efeitos são mais duradouros. Mas, infelizmente, não existe indústria que promova essas alternativas. Mais pesquisas são necessárias para estudar alternativas às drogas psicoativas.

Em particular, precisamos repensar o tratamento de crianças. Nesse ponto, o problema é muitas vezes uma família perturbada em circunstâncias conturbadas. Tratamentos voltados para essas condições ambientais – como auxílio individual para pais ou centros pós-escola para as crianças – devem ser estudados e comparados com o tratamento farmacológico.

No longo prazo, essas alternativas seriam provavelmente mais baratas. Nossa confiança nas drogas psicoativas, receitadas para todos os descontentes com a vida, tende a excluir as outras opções. Em vista dos riscos, e da eficácia questionável dos medicamentos em longo prazo, precisamos fazer melhor do que isso. Acima de tudo, devemos lembrar o consagrado ditado médico: em primeiro lugar, não causar dano (primum non nocere).

Fonte: Marcia Angell (Revista Piauí 59)